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Um texto de Lord A:.
“Não existem povos, por mais primitivos que sejam, sem religião e magia. Assim como não existem, diga-se de passagem, quaisquer raças selvagens que não possuam atitude científica ou ciência, embora esta falha lhes seja freqüentemente imputada” Magia, ciência e religião, 1988:19
Tudo começou com as "Runas".Um repertório de símbolos de poder,um alfabeto conhecido como Futhark (ou Uthark em algumas variações controversas presentes no meio ocultista tornadas mundialmente conhecida pelas músicas da Banda Therion) utilizado para a escrita mas de forma "não-acessível" a todos habitantes do norte da Europa.A palavra "Runa" quer dizer "sussurro" e refere-se as inspirações que estes sussuros trazem a cada um em suas práticas que vão bem além dos exercícios oráculares.Para finalidades introdutórias e básais sobre o que é e ao que se destinam as "Runas", deixo as palavras da sábia Mirela Faur em sua obra Mistérios Nórdicos:"(...)As runas representam imagens e símbolos arquetípicos que atuam como uma linguagem sutil entre os vários aspectos do ser.Elas despertam o potencial latente da percepção intuitiva e alinham o buscador com um fluxo de energia mágica e espiritual(...)"
Alfabetos de poder e suas representações gráficas e fonéticas das essências contídas em cada pequeno universo em cada símbolo e seu respectivo impulso dinâmico ou "daemônico" não são uma novidade para nossas leitoras e leitores.Quando o simbolo floresce, ele é representado pela sonorização e forma gráfica e numa explosão de êxtase ele se realiza sózinho ou em conjunto com outros símbolos de um alfabeto de poder.Tais runas, sigilos ou simbolos e as inspirações e correspondências que sucitam nas profundezas da mente compõem o processo do "despertar" na Cosmovisão Vampyrica ao longo da jornada pessoal e coletiva pelas datas de poder de nossos Strighezzos.O ocultista e magista inglês Austin Osman Spare, em sua obra "Anotações sobre letras sagradas" pontuava que:"(...)"as letras sagradas preservam a crença do Ego, de modo que a crença retorne contìnuamente ao subconsciente até romper a resistência. Seu significado escapa à razão, embora seja compreendido pela emoção. Cada letra, em seu aspecto pictórico, se relaciona a um princípio Sexual... Vinte e duas letras que correspondem a uma causa primeira. Cada uma delas análoga a uma idéia de desejo, formando uma cosmogonia simbólica.(...)" por sua vez o próprio Spare foi autor do "Alfabeto do Desejo", onde cada letra representa um princípio sexual, um impulso dinâmico) foi desenvolvido por Spare para sonorizar gràficamente estes atavismos e, quando o florescimento do símbolo acontece, a explosão de êxtase é a realização de Zos.Certamente recordáriamos outro grande ocultista inglês Aleister Crowley em seu "Magic Without Tears" explanando sobre com realizava magia e alterava a realidade publicando uma obra literária ou um livro - a expressão da sua "vontade" naquele momento.
Lá pelos anos de 2005 e 2006 tive a oportunidade de explorar e conhecer alguns repertórios relacionados ao que chamamos aqui de "alfabetos" de poder.Não posso mentir que houve um fascínio inicial pelos deslumbres e rompantes de Chaos Magick superficialmente apresentados por alguns "vamps" norte-americanos surgidos no começo do ano 2000.Assim como pelo chamado chamado alfabeto "elorathiano" presente naqueles tempos da cosmovisão vampyrica. Quando aprofundei o estudo, o líder naquele tempo de uma famosa "ordo" internacional da qual fui colaborador público por alguns anos, me propôs para "redesenhar" e "re-escrever" o tal alfabeto iniciático para a "ordo" não sofrer processo de direitos autorais do designer original que havia rompido com eles e se integrado a um outro grupo.Para minha decepção também notei que os traços vetorizados deste alfabeto eram feitos com "carimbos" standards de coreldraw ou photoshop...Eu considerei isto o fim da picada!E daí em diante escolhí que esta via de práticas com alfabetos de poder deveria ser baseada em algo mais tradicional e fundamentado.Foi a primeira das muitas falhas que me levaram a se afastar gradativamente da tal "Ordo".Mais ou menos na mesma época tive acesso aos conteúdos da linguagem mágicka "Enochiana" e uma antiga conexão do passado me trouxe de volta ás runas.Abrí mão dos "pós-modernismos" e focalizei a tradição.Foi uma escolha bem acertada, quando olho hoje para trás no tempo.Para o futuro prometo um texto sobre as vivências com o Enochiano.De agora em diante focalizarei as Runas e a Stadahagaldr.
Algumas pessoas podem indagar se há alguma estranha relação entre a palavra russa "Uppyr" (que designa "pagão" e não exatamente o sangue-suga da produção cultural que estamos mais acostumados - e que vêm a ser a origem do "Vampyr" e suas variações posteriores) e o termo nórdico "Öpir" que designava uivador, gritador ou um estranho nome próprio de um criador de pedras rúnicas do século IX ou X que viveu em ambas as regiões citadas de forma superficial neste parágrafo.Esta questão pode ser ampliada neste link da Cronologia Vamp e certamente em muitos outros artigos cujo os trechos estarão indicados lá!Ou então assistirem este video!
Já o "Stadhagaldr" (Stadha significa "Posturas" & Galdr quer dizer "Mantras" sob os augúrios de uma livre tradução) teve seu início com o trabalho de acessar e focalizar os fluxos de poder da terra e da atmosfera e foi desenvolvido pelos mestres rúnicos F.B Marby, S.A. Krummer e Karl Spiesberger no século XX.Acredita-se que nos tempos antigos algumas (ou talvez todas) estas posturas servissem como uma forma de comunicação gestual a distância, provavelmente utilizada durante guerras.Até o presente momento podemos apenas falar daquilo que vivênciamos e nós do Círculo Strigoi podemos atestar que tais posturas e mantras tem grande poder bioenergético - comparável ao que outras pessoas encontram em práticas adjetivamente semelhantes como na yoga (embora não sejam equivalentes de nenhuma forma).Bem como os "Aettir" Rúnicos não equivalem a "AEthyrs" Enochianos em linhas gerais.
Para os noruegueses a palavra "Galdr" era equivalente á "magia e também era a mesma que designava "som" e "encantamento mágico" descendia do verbo "gala" que descrevia o "grito-do-corvo".Cada letra do alfabeto rúnico consistia de um "som" ou mantra específico que representava a essência da runa em questão em vibração sonora.Pense em cada uma delas como uma tocha que ilumina e desvela a escuridão de cada aspecto de sí e além de sí que deseje desvelar com respeito, honestidade, lealdade, prudência, sabedoria e gratidão.E uma pronúncia apropriada e respeitósa com a dicção suéca ou norueguesa é um desafio e um estímulo para ser sustentado, bem como o tom músical correto para cada Runa.
A questão de posturas bioenergéticas que permitem a ativação, desativação, sustentação, banimento e outras possibilidades não constituem uma novidade de nenhum tipo.Todo mito não pode ser desvinculado de seu rito, logo a dança ou tais posturas retratam seus mitos e parte de seus fundamentos principais - através dos dramas que são desenhados no ambiente e no próprio ecossistema ou natureza circundante.Talvez o mais conhecido na magia cerimonial temos o rito do banimento do pentagrama menor e maior com suas posturas, dança e mantras específicos.Se delinearmos os meandros do xamanismo ou mesmo do budismo tibetano e até do candomblé brasileiro encontraremos posturas e sabedorias corporais equivalentes.Em termos clássicos de magia encontramos o chamado "posismo" de Pascal Bervely Randolph, mentor mágico de Abrahan Lincoln (inspirado nos antigos Ansariehs do oriente médio) com suas poses corporais específicas que destinavam e encomendavam que o rito fosse levado a cabo para a conclusão de suas finalidades.
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| As práticas de Stadhagaldr tem sido focalizadas e conduzidas com bons resultados tanto no evento Encontro do Tarô dos Vampiros quanto nos ritos velados do Círculo Strigoi |
O movimento é constituído pelo sequenciamento de diversos gestos, bem como a coreografia de uma dança é a melhor representação do Zoé (a indestrutível e impessoal força da vida ou "Sangue") ou quem sabe do "Önd" seu equivalente nórdico.Na arte da coreografia temos a composição estética dos movimentos corporais, sua origem é a de apresentar idéias ou sentimentos de uma narrativa através de movimentos corporais expressivos do nível ritualístico ao cênico.Desenhar o espaço com movimentos corporais, traçar e vivênciar as misteriósas runas e seus mistérios com o próprio corpo em infinitos círculos dentro de círculos.Talvez seja o objetivo a que se destine que caracterize o que seja a dança venusiana e o que seja arte marcial de marte.


