quarta-feira, 3 de julho de 2013

A Arte do Confronto: Fama, Ares, Eris, Nemesis, Harmonia e suas famílias HOJE! (Parte3) de Lord A:.

  "...É graças aos soldados, e não aos sacerdotes, que podemos ter a religião que desejamos. É graças aos soldados, e não aos jornalistas, que temos liberdade de imprensa. É graças aos soldados, e não aos poetas, que podemos falar em público. É graças aos soldados, e não aos professores, que existe liberdade de ensino. É graças aos soldados, e não aos advogados, que existe o direito a um julgamento justo. É graças aos soldados, e não aos políticos, que podemos votar..."
Barack Obama, em 30 Mai 11, Memorial Day,ao responder à pergunta “Para que servem os militares?”)


Harmonia na Grécia e Concórdia em Roma, era a última deusa que vinha junto do turbulento e truculento cortejo de guerreiros e guerreiras furiosos de seu pai Marte (ou Ares na Grécia). Como disse na parte 2 deste artigo harmonia e o equilíbrio  vinha apenas após o confronto e o banimento dos contendores para fora da região de interesse e a sabedoria residia neste contexto.” Como filha de Ares e de Afrodite, a bela Harmonia herdava da mãe os dons e presidia sobre a harmonia conjugal,  suavizando o conflito e a discórdia. Do pai herdou as funções da ação harmônica na guerra. Muito tempo depois passou a integrar o cortejo de Afrodite e ainda depois veio a ser representada como uma personificação da harmonia cósmica. A harmonia então residia em se manter bem posicionado e equilibrado onde você sentia que era seu lugar no universo.

O mito mais acessível sobre a deusa Harmonia narra  a trajetória e as provações do herói Cadmo ao longo de sua vida. Tudo se inicia quando  Zeus rapta a princesa fenícia chamada Europa e seu pai envia os três filhos (Cadmo, Cilix e Fenix) para a encontrarem e não retornarem até terem sido bem sucedidos nesta missão impossível. Viajando através do continente eles se tornam heróis criadores de colônias e cidadelas, um dia ao visitarem uma fonte consagrada a Ares os irmãos Cilix e Fenix são mortos pelo dragão que guardava o lugar e enfim Cadmo mata a pavorosa criatura. Porém, a morte do dragão deveria ser expiada e assim Cadmo serviu a Ares por oito anos como escravo, antes de se tornar o mítico fundador da dinastia Tebana. Contam que a conselho da Deusa Atena os dentes do tal dragão foram semeados na terra e assim nasceram  os Spartoi (Os Semeados, origem mítica do núcleo aristocrático tebano).Enfim, podemos pensar na simbologia destes oito anos em serviço de Ares como a iniciação do jovem Cadmo, ao final ele foi presenteado pelo próprio deus Ares com o direito de se casar com sua filha Harmonia. Houve uma grande festa de núpcias com a presença de todos os Deuses. Depois disso há muitas outras variações do mito, alguns dizem que Hefesto (legítimo marido de Afrodite) e Atena (que sempre teve lá suas rusgas com Ares) ofereceram presentes amaldiçoados; também falam de um confronto chamado sete contra Tebas; existem muitas versões – e os mais aptos podem pesquisar por elas e serão regiamente agraciados com muita informação. No final da vida de Cadmo bastante idoso, ele e Harmonia foram transformados em Dragões ou Serpentes e levados para a ilha dos bem aventurados.

No parágrafo anterior mencionei como Cadmo serviu a Ares por oito anos e a possibilidade de que isto seria um processo iniciático ou daquilo que nomeamos como “Despertar” na Cosmovisão Vampyrica.Nos mitos mediterrâneos  outro famoso processo iniciático é realizado por Telêmaco filho de Odysseus para saber sobre o pai e existem ainda muitos outros – questão de pesquisar . O Despertar  é um processo que leva tempo e envolve aprendizado social e espiritual sobre sí e aquilo que se aspira vir a integrar é cunhado sob as condições ritualísticas específicas de uma morte simbólica (que marca reconhecer a própria imanência e assim transcender aspectos basais do ser e tuneis de realidade estagnados) e então despertar e assumir-se como protagonista de sua vida e eterno caçador ou caçadora daquilo que lhe desperta vitalidade (sobre esta parte o que é, o que não é e afins leia www.vampyrismo.org). Aprecio oferecer a didática e sabedoria do “Espelho Negro” deste artigo como uma descrição eficaz ainda que parcial e meramente ilustrativa desta estação. Certamente, o Despertar é um processo contínuo e indelével que marcará alguém até o final de seus dias. E a presença e conhecimento (ou “Sangue) legado pela Deusa Concórdia dos Romanos ou Harmonia dos gregos é que não se deve pensar a totalidade em partes separadas ou excessivamente especializadas (afinal especialização é para insetos) e sim considerar todos os atributos de uma situação ou de alguém em concordância(harmonia) com aquilo que ocorre igualmente ao redor.

Ou como diria o filósofo Raimundo Lullo – cujo algumas obras serviram de fundamentação de algumas ordens de cavalaria europeia (incluindo a Ordem do Dragão):”(...) todo atributo deve ser pensado em seus três momentos essencialmente necessários, ou seja, a bondade como a unidade de bonificativum - bonificabile - bonificare. LÚLIO exprime-se assim:nenhum desses atributos pode vir a ser pensado como otiose, ocioso,  gratuito, vazio [26] ; se assim se fizesse, resultaria uma desigualdade, uma desarmonia entre eles. Na realidade, Deus tem de ser assim, como o pensamento conseqüente o postula. A Trindade significa que a deidade realiza, eternamente e em plena igualdade, esses momentos interiores. Mais notável é o argumento de LÚLIO para a Encarnação: entre o fundamento do mundo (Deus) e o fundamentado (mundo) tem de existir a máxima união possível. Verdadeira é  a religião que não abandone criador e criatura, dualisticamente, frente a frente, mas que conceba Deus também como a união desses opostos. A Encarnação é a suprema união da causa com o efeito; somente elacompleta, como terceiro passo, o que a criação do mundo começa (...)Ignora-se seu novo conceito de natureza: segundo ele, a natureza é uma penetração recíproca dos "princípios relativos "diferença - concordåncia – contrariedade origem (principium) - meio - fim (finis) ser-maior (maioritas) - igualdade (aequalitas) - ser-menor (minoritas).Natureza como sobreposição ou penetração gradativa da trama de relações.(...)” 

"O comentário esotérico sobre o simbolismo do Bode em relação a fórmula da Mulher Escarlate é encontrado na tradição tântrica onde o bode é sagrado para Kali, cujo talismã é o sangue. Este kala possui afinidades importantes com o ciclo lunar e ele se manifesta através da Sacerdotisa no período da ocultação do sol, daí o simbolismo do ‘cego’ ou olho oculto. Ele é o raio sanguíneo que forma a base do 27º kala, que é dominado por Marte, um deus que era relacionado originalmente com o derramamento de sangue na violação sexual34 e o sangue denotando o tempo – ou ‘rito’ – certo para cópula mágica. A mais recente associação de Marte com a guerra, e com sangue derramado na violência, foi feita por aqueles que falharam em compreender a natureza dos mistérios primitivos.
 28° raio é atribuído a Áries, o Legislador, kala onipotente representado na Alquimia pela Tintura Vermelha, o elemento ígneo do cosmos cujo elemento enxofre, tipifica o metal que é da natureza do ouro. O 28° kalaé assim o complemento do kala da Prostituta ou Sacerdotisa – o 14°kala Venusiano – e da Águia Branca dos Alquimistas que representa a continuidade da vida e herança de sangue que une todas as formas de natureza: a Tintura Branca da natureza da prata. O Legislador originalmente tipificava o 15º kala que está agora sob a égide da Estrela Set-Isis,35 
conforme já explicado. O poder do Legislador flui diretamente sobre a Esfera de Malkuth, o Reino da Terra, e o 10º kala que encobre os elementos transplutonianos do primeiro kala, Kether. O veículo ou mênstruo da energia do Legislador é o 29º kala, sob a égide de qoph, a vibração pisciana discutida previamente em conexão com as energias psico-sexuais na base do cerebelo. Ele é presidido pela Lua e por Libra – o 30º kala – que é principalmente solar, embora com sub-tons mercuriais e lunares." Kenneth Grant em Cultos da Sombra

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