segunda-feira, 2 de março de 2015

Edifício Martinelli, o amaldiçoado colosso

Um dos cenários visitados pelo SÃO PAULO MALDITA um passeio cultural que explora e desvela os segredos do centro velho de São Paulo é o Edifício Martinelli e hoje compartilhamos sua história, aqui neste espaço do autor...
Na literatura Vampiresca o célebre edíficio Martinelli no centro velho de São Paulo é habitado pelo ancião Vampiro conhecido como Dom Ignácio, lá na velha cobertura que já foi a morada do idealizador do prédio ele comanda os integrantes mortais e imortais da soturna agência conhecida como o Turno da Noite ao lado das vampiras Calíope e Isabela. Criado pelo autor bestseller André Vianco, as aventuras do grupo nas páginas da franquia homônima (publicada em três livros) já foram até adaptadas pelo próprio autor no video para uma série de tv nos canais pagos - com um episódio piloto bem legal. Este é um exemplo de quando o fantástico encontra o real, embora a história do vistoso arranha céu seja muito mais sinistra do que a mera presença deste morador ficcional.

A história original do Edíficio Martinelli começa , quando o conde italiano Guiuseppe Martinelli decide presentear a cidade com o maior edifício jamais visto, uma forma de expressar gratidão pelos negócios bem sucedidos e sua nomeação como embargador.  Assim veio a cristalizar o sonho juvenil de ser engenheiro na forma de um verdadeiro arranha-céu na prosáica São Paulo do começo do século XX. Contam que originalmente seriam 13 andares, depois aceitando desafios de moradores e muito mais o prédio ganhou a dimensão de 26 andares - e posteriormente uma casa de quase cinco andares no topo. Ávido por demonstrar a solidez e a segurança do prédio, o próprio Guiuseppe instalou uma mansão nos últimos andares como sua redidência e moradia oficial na cidade. A fortuna lhe sorriu.

O colosso que era aquele arranha-céu fascinava e amedrontava a todos, imagine a cidade tinha apenas prédios de cincon andares na maior parte das suas ruas. Dada as dimensões assumidas pelo projeto o próprio Guiusepe precisou de empréstimos e financiamentos de uma empresa italiana para a conclusão da obra. Anos depois com a chegada da segunda guerra mundial, o governo usou tal fato como desculpa para tomar todas as suas propriedades e a maior parte dos seus imóveis. Era inadmissível italianos com boas fortunas em tempos de guerra. Após a "união" reclamar para sí o edíficio, imediatamente o renomeou como edifício América. O tempo passou e o abandono e descaso do governo arremessou o prédio numa rota de decomposição e infortúnio. A ponto de ser considerado uma favela vertical e antro criminoso...

Agora o grandioso cartão postal da elite paulistana era alvo do abandono, seus espaços locados com um valor barato e servindo de moradia das classes mais baixas da cidade que sonhavam morar próximos do trabalho. Onde era o bar subterrâneo de um suntuoso hotel rapidamente se instalaram cabarés, diversos bordéis passaram a ocupar os andares superirores também o que tornavam o lugar um antro criminoso. Assassinatos brutais tornaram-se frequentes alí e os corpos eram ocultos sendo acimentados no concreto das paredes ou ainda sendo arremessados no fosso dos elevadores, junto com o lixo. Clínicas de aborto ilegais também fizeram seu espaço em alguns conjuntos comerciais. Nos anos cinquenta alguns condôminos diziam que no horário comercial ainda era possível de se trabalhar bem alí, mas depois das 19 horas os corredores e escadarias se tornavam um desfile escrachado das mais diversas formas de prostituição e comércio de entorpecentes.

Com a passagem da década de cinquenta o edifício e suas péssimas condições de higiene e de conservação - bem como a ausência de segurança - o tornaram um palco de acontecimentos e crimes deploráveis. Casos de estupro, violência gratuíta, pessoas jogadas dos andares mais altos para a morte dominavam os jornais e folhetins. Assim como o mau cheiro que exalava do prédio comparado ao odor nefasto da própria morte. Os fossos de alguns elevadores eram uma verdadeira lixeira dos andares superiores, era tanto lixo que alcançava até o sexto andar. Vários corpos e restos humanos de jovens, adultos e fetos foram encontrados alí quando muito tempo depois se iniciaram as obras de revitalização do prédio graças ao prefeito Olávo Setubal e a iniciativa privada lá nos anos setenta.



Curiosidades: 

No décimo sétimo andar do prédio naqueles tempos decadentes funcionou "A Igreja do Deus Vivo", do pastor Sinésio Cagliari, e sua esposa a missionária Elza Cagliari, uma forma de salvar as almas perdidas e desgarradas de lá;

Os arquivos do sangrento tablóide Notícias Populares coletou incontáveis casos de crime e violência ocorridos no edifício. Como o do assassino chamado de Meia-Noite que matou o jovem Davidson e jogou seu corpo no fosso do elevador; ou ainda dos cinco homens que violentaram e mataram uma criança chamada Márcia Tereza. Há ainda os relatos de uma loira que os cabelos cobrem a face que já assustou muitos nos corredores e alguns assensoristas ao longo dos anos - quem a viu diz que seu visual recorda as mulheres dos anos 30.

No final da década de noventa houveram muitos relatos de funcionários ligados a assombração e associados ao oitavo andar, na época um andar desabitado. Os andares (6,5 e 4) também atraíram relatos similares. Era a temperatura mais fria daquele andar que chamava a atenção, ruídos inexplicáveis, sons estranhos, ruídos de crianças brincando, máquinas de escrever funcionando sózinhas, portas batendo sem vento e sem ninguém por perto - segundo os funcionários da limpeza haviam também as chamadas suspeitas de elevador. Ninguem no andar e do nada o elevador disparava sózinho para ele. De acordo com os funcionários, existe uma função nos equipamentos que permite que o elevador desça e suba direto, sem atender aos chamados feitos nos andares. Mas esta opção só pode ser selecionada por botão, quando há alguém dentro... sabendo que em alguns daqueles fossos estavam depósitos de lixos e de corpos... a imaginação sombria ganha asas.

Um dos funcionários conta que certa vez estava apagando a luz do 14º e alguém gritou: ‘tem gente trabalhando’. Acendi a luz e fui procurar a pessoa para pedir desculpas. Olhei mesa por mesa no andar. Entrei no banheiro e nada. Fiquei esperando em frente ao outro banheiro que estava fechado, mas ninguém saiu. Entrei e vi que estava vazio também.



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