quinta-feira, 21 de julho de 2011

COMO LEÕES QUERENDO FAZER CARINHO EM ANTÍLOPES...

"NÃO SEI QUEM VOCÊ PENSA QUE É, MAS ANTES QUE A NOITE ACABE, QUERO PENSAR COISAS RUÍNS COM VOCÊ...SOU CONTRA BELO MONTE, TAPAJÓS E A REFORMA DO CÓDIGO FLORESTAL"



"Um Governo Deveria Temer Seu Povo e não o Contrário" 
Allan Moore em "V for Vendetta"...



"Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos conscientes e
comprometidos pode mudar o mundo; de fato é a única maneira disto acontecer"

Margaret Mead...




Durante a noite do 28 de Março de 2011, sob o luar minguante pude conhecer a Miryám Hess e o seu pessoal num protesto que realizavam em plena avenida paulista.Lá esta pesquisadora e ativista, índios e simpatizantes expressavam sua contrariedade a construção da hidrelétrica de Belo Monte.Alí tínhamos os índios defendendo o direito a morarem em suas próprias terras.Tínhamos também cidadãos brasileiros sensibilizados e comprometidos com algumas causas bem maiores...Foi um momento muito marcante, pois eu tambem sou contra a Belo Monte desde o ano passado, quando incidentalmente ví as notícias sobre sua construção e tive uma conversa muito interessante com minha amiga Cicuta Delirium sobre este tema.Me tornei um fideligno opositor de tal projeto por volta de fevereiro de 2010 nas primeiras edições ao vivo do meu programa semanal Vox Vampyrica Revamp.



COMO LEÕES QUERENDO FAZER CARINHO EM ANTÍLOPES...

Hidrelétricas como Belo Monte, Tapajós e outras mais servem como cartão postal ou "obra-faraônica-para-inglês-ver" - neste caso o governo chinês e uma peculiar conexão entre o oceano pacífico e países latinos que está se formando entre países que já vivem sob um estado ditatorial velado aqui na América do Sul.
Da minha parte vejo que os chineses esgotaram e devastaram seu ecossistema e agora procuram outros lugares para repetirem o processo beneficiando seu governo e a riqueza de seus integrantes-sem importarem-se com mais nada a não ser o lucro próprio.Diversas notícias em jornais brasileiros comprovam uma bizarra relação de neocolonialismo, onde o governo brasileiro tornou nossa economia completamente dependente da China.Vivemos como uma neocolônia deles...Um dos mais interessantes assuntos levantados por meu amigo da Pensamento Verde, o Marcos Torrigo.Este assunto será abordado em posts deste blog.
Vamos tomar a hidrelétrica de Belo Monte, como nosso primeiro alvo verbal.Tal usina comprovadamente não será capaz de suprir demandas energéticas atribuídas a sua força e capacidade - além disso a malha de transmissão elétrica brasileira que conectaria a usina as cidades e habitantes é antiquada e ultrapassada, e logo dissipará e perderá a força elétrica gerada em Belo Monte.Não havendo "eficiência" na transmissão e re-transmissão da energia temos um quadro preocupante - que poderia ser comparado a muitos padrões de comportamento e atitude típicos do povo brasileiro.Isso sem falarmos no fato de que as justificativas para a construção de Belo Monte se baseiam em uma falácia de linearidade entre aumento de Produto Interno Bruto e maior poder de consumo financeiro - Um pouco complicado de entender?Para facilitar, reproduzo as palavras do físico José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP):



(...)"Tenho várias ressalvas à programação do Plano Nacional de Energia. Os planejadores da área pensam a partir de uma correlação entre o consumo de energia por habitante em função da renda. Com os gráficos que eles apresentam, temos a impressão de que há uma relação linear entre o consumo de energia elétrica e o crescimento do PIB. Essa premissa está completamente equivocada", afirmou.Segundo Goldemberg, a hipótese dos planejadores da área energética é de que um crescimento anual de 6% do PIB faria praticamente triplicar o consumo de energia elétrica até 2030."A argumentação dos planejadores se baseia nessa suposta linearidade entre crescimento do PIB e do consumo de energia. Mas sabemos que essa correlação não é linear. Enquanto argumentam a favor da energia nuclear para atingir esse suposto crescimento de demanda, a questão da eficiência energética - menina dos olhos dos países desenvolvidos - aparece como um fator de segunda ordem no planejamento energético", afirmou.Segundo Goldemberg, como a energia era no passado um fator de produção pouco importante, por ser barata, não havia encorajamento para que a indústria tornasse os processos mais eficientes."Conforme a energia foi encarecendo, a preocupação com a eficiência aumentou. Isso se refletiu até mesmo no projeto dos automóveis. Nos Estados Unidos e na Europa, não se pode mais fazer equipamentos como geladeiras que não respeitem um desempenho energético mínimo", disse.(...)

Pode ser que os leitores e leitoras deste blog, assim como eu, não tenham muito traquejo com algumas siglas e conceitos políticos - mas isso pode ser fácilmente sanado com ajuda do google.Em relação a tal da falácia de um "possível" aumento do PIB equivaler a um aumento de consumo;e também da questão desperdício e eficiência duvidosa na transmissão de energia - temos mais um "crítico sevéro" deste modelo de raciocínio, sr. Pavan Sukhdev, economista sênior do Deutsche Bank.Atualmente ele coordena o projeto chamado  "A economia dos ecossistemas e da biodiversidade" (Teeb, na sigla em inglês) e vinculado ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.O objetivo deste projeto é o de criar um painel responsável por calcular o custo dos danos ao ambiente causados pelo homem.Nas palavras de Pavan:


"Atualmente, os governos estão presos ao seguinte modelo: o crescimento do PIB influencia nos lucros corporativos, estes elevam o nível de arrecadação de impostos, que por sua vez alimenta o orçamento deficitário do estado. Uma maneira de sair desse círculo vicioso é mudar a taxação de recursos.Em vez de arrecadar impostos sobre a renda e os bens, como é feito hoje, seria melhor taxar os efeitos externos negativos da atividade empresarial. As alíquotas deveriam ser aplicadas sobre o uso dos recursos naturais e dos materiais. O modelo atual apenas incentiva o mau uso do capital." 


Segundo a entrevista de Pavan com o jornalista Diogo Schelp publicada recentemente na revista Veja, o economista sênior:


"(...) avalia que o prejuízo causado pela destruição do ambiente só pode ser revertido com uma transição para um sistema econômico mais sustentável. É o que Sukhdev chama de "economia verde".(...)Trata-se de um modelo econômico que reduz o risco de escassez ecológica e dano ambiental. Estima-se que o impacto da atividade das 3 000 principais corporações do mundo na mudança climática, nos recursos hídricos, no desperdício de material e na poluição tenha um custo de 2,25 trilhões de dólares por ano. Isso representa 3% da economia global e não inclui acidentes ambientais como o vazamento de petróleo no Golfo do México.(...)Uma economia verde deverá contabilizar os custos que a atividade empresarial impõe à sociedade e terá de lidar com eles. A riqueza, então, passará a ser medida com base no acúmulo de capital humano, natural e social, e não apenas físico."


Você pode assistir uma entrevista bem interessante com Pavan Sukhdev, aqui




Como anunciei no começo deste texto, a hidrelétrica de Belo Monte é o meu "alvo-verbal" primário;além disso no transcorrer do primeiro semestre de 2011, constatei que a tal usina é um símbolo perfeito, para explorarmos amplamente questões pessoais e políticas bem interessantes - que vão desde o comportamento individual, escolha profissional e também de representantes governamentais.Torna-se óbvio que todas estas escolhas refletem diretamente no meio-ambiente ao nosso redor - tanto no âmbito pessoal quanto coletivo.Alguns amigos e amigas pessoais, até brincaram, que "Belo Monte" seria o meu BigBen pessoal...uma clara alusão a minha simpatia ao personagem "V" das histórias em quadrinhos e do filme blockbuster "V de Vingança"... bom, quando, apareceu aquele video da "Annonymous" no youtube...as coisas ficaram interessantes...no meio de Julho de 2011 participei de mais um protesto na avenida Paulista com muitas pessoas usando a tal máscara...têm alguma coisa no ar...



A hidrelétrica de Belo Monte é parte de um projeto governamental chamado Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) - uma de suas metas é construir mais de 100 grandes barragens na Amazônia - tudo isso em terras índigenas e áreas ambientais protegidas por lei e também pelo antigo código florestal.As implicações destas alterações no meio-ambiente são inquantificáveis.Podemos pensar em "Belo Monte" como um ícone para entendermos todos os processos e implicações que as outras partes da execução do "PAC" virão a desenvolver.Todo "novo poder" utiliza-se de ideais para justificar aquilo que deverá ser feito, sendo assim não surpreende que decidiram alterar o código ambiental brasileiro, para que assim um grande massacre étnico e ambiental fosse realizado...em nome do lucro de seus idealizadores e parceiros.O mais curioso é que o redator destas alterações é um senador comunista e com vínculos afetivos e enlaces tendenciosos com o governo chinês.
Seriam tais barragens e hidrelétricas somadas com a política  de apoio e simpatia para com governos ditatoriais da América do Sul, uma forma de estabelecer uma "parasítica extensão" américa-do-sul, oceano pacífico e China - lembrando que já somos uma neocolônia e dependemos econômicamente do governo Chinês - tudo isso está antecedendo uma nova ditadura por aqui?Como diria Galadriel, no épico Senhor dos Anéis:"Vejo sinais...nas águas...nos ventos e no ar..."


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