segunda-feira, 21 de novembro de 2011

"Goethe: A Noiva de Corinto"

Narcisismo e Ansiedade são as deídades mais presentes na internet cotidiana.Para reduzir parcialmente o culto rendido a elas na blogosfera e nas redes sociais...vou compartilhar hoje o célebre "A Noiva de Corinto" de Goethe... naturalmente atribuem a esta obra a originalidade de ter sido a primeira narrativa "vamp" - havendo um "team" Noiva de Corinto acadêmico e capitaneado pelo J.Gordon Melton...no entanto, eu integro o "team" Christabel capitaneado pela Camile Paglia!!!

Ah sim!Toda quarta-feira das 21h a 0h apresento ao vivo o programa www.voxvampyrica.com


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A Noiva de Corinto
Johann Wolfgang von Goethe
(Tradução de Pedro de Almeida Moura.)

Vindo de Atenas, chega em Corinto

Um jovem desconhecido ali.

Vem recomendado a um morador da cidade

Amigo de seu pai. Ambos haviam combinado

O casamento do filho e da filha, ainda crianças,

Antecipando o noivado.

Mas ai! será acaso, bem-vindo, o forasteiro,

Se não pagar, a bom preço, a desejada hospedagem?

Ele ainda é pagão, bem como a sua família.

São já cristãos os da casa, e batizados.

Quando uma nova crença desponta

Rouba dos corações fidelidade e amor

Como quem arranca do chão ervas daninhas…

A casa está em silêncio: pai e filha já dormem.

Só a mãe inda está de pé.

Recebe o hóspede com benevolência

E o conduz, sem detença, a um dormitório suntuoso.

Antes mesmo que o recém-vindo peça algo,

Serve-lhe vinho e alimento, e se despede,

Desejando-lhe boa noite.

Embora farta e bem posta a mesa

Não consegue despertar o apetite do jovem, o qual

Sem mesmo despir-se deixa-se cair na cama,

Vencido pelo cansaço.

Mas semi-desperto ainda,

Percebe que uma estranha visita

Empurra a porta e entra.

Sim ele vê, ao clarão indeciso da lâmpada,

Entrar ali uma jovem cauta e silenciosa

Vestida de branco e de véu.

Fita negra e doirada guarnece-lhe a fronte.

E ela, assim que o vê,

De pavor tomada,

Ergue estarrecida, no ar, a mão branca…

“Sou eu tão estranha nesta casa, clama a jovem,

Que nada soube da presença deste hóspede?

Ai de mim! Assim é que me prendem na minha clausura.

Agora, cheia de vergonha, eis-me aqui.

Deixa-te ficar aí no teu leito

Que daqui me retiro, incontinenti, tão rápida quanto vim”.




- Fica, linda jovem! Não vás, replica o moço,

Saltando pressuroso do leito.

Eis aqui os dons de Ceres e de Baco

E amor me trazes, graciosa flor.

Pálida estás de susto.

Vem querida, fica comigo e hás de ver

Como os deuses nos são propícios…

“Detém-te, ó jovem, detém-te! Eu não pertenço aos prazeres.

O último passo, o derradeiro, já foi dado

Pela doentia imaginação de minha mãe

Que em sua convalescença jurou

Sacrificar ao céu a minha juventude e minha natureza.

Desde então o cortejo ruidoso dos deuses

Desertou esta casa.

Invisível um único é adorado nos céus,

Um Salvador na cruz.

Vítimas tombam aqui,

Não carneiros nem touros,

Mas vidas humanas, em holocausto inaudito”.

Ele pergunta e ouve, pesa palavra a palavra

E nenhuma delas passa despercebida

Ao seu espírito ansioso:

- Pois como? Será isso possível,

Terei, então, diante de mim,

Minha estremecida noiva?!

Vem, entrega-te a mim!

O juramento que nossos pais fizeram

Invocou sobre nós a proteção dos céus!

“Não me possuirás, alma bendita!

Minha segunda irmã te será dada.

E, quando em meu desolado esconderijo,

Torturada de amor eu desfaleça,

Em seus braços, querido, lembra-te de mim,

Que só penso em ti,

Quem de amor sucumbe, amortalhada na terra”.

- Não e não! Junto a esta chama ardente, juremos.

Os laços do Himeneu nos são propícios.

Perdida não estás para as alegrias da vida

Nem para a vida minha. Comigo irás

À casa dos meus pais. Compartilha

Comigo, desde já, amada minha,

Deste banquete das núpcias inesperadas…

Trocam eles, então, os penhores da mútua consagração:

Ela lhe dá uma corrente de ouro

E ele se predispõe a ofertar-lhe

Uma taça de prata, sem igual, de primoroso lavor.

“Isto não é para mim, outra coisa é que te peço:

Dá-me um anel dos teus cabelos!”.

Soou, naquele instante, a hora fatal dos fantasmas.

Só então ela pareceu sentir-se à vontade:

Principou a sorver, sequiosamente, com pálidos lábios,

O vinho espesso e rubro, cor de sangue.

Mas do pão de centeio, que ele, gentilmente, lhe ofertava

Não queria provar o mínimo bocado.

Ao jovem ela passou a taça

Da qual ele, também sôfrego, sorveu:

Amor, porém, é o que ele requer, neste silencioso repasto.

Ai dele! Seu coração padece transido de amor.

Por mais que ele suplique, ela teima e resiste

Até que, afinal, o jovem tomba, chorando, sobre o leito.

Ela se aproxima e se atira junto dele:

“Não crês, não imaginas com que desgosto te faço sofrer.

Mas se tocares os meus membros, perceberás, horrorizado,

O que estou te ocultando: branca como a neve, mas álgida como o gelo

É a amada que tu escolheste.

Vibrante, pela força da estuante juventude

Ele a enlaça em seus vigorosos braços:

- Junto de mim te aquecerás

Ainda que tivesses vindo de um túmulo!

Entrecortados suspiros, beijos sobre beijos.

Transbordamento de amor:

- Não te sentes queimar, não me sentes queimar?!

Amor os prende, mais e mais unidos,

Lágrimas se misturam a esse deslumbramento:

Sequiosa ela sorve o seu hálito fogoso

E cada qual não tem noção de si senão no outro.

Seu ardente amor aquece o enregelado sangue da bem amada

Mas no peito dela não pulsa o coração.

Nessa hora tardia da noite passa pelos corredores,

Ainda em seus quefazeres, a mãe:

Detém-se junto à porta, ouvido à escuta,

Estranhando que esquisitas vozes possam ser aquelas:

Juras de afeto, suspiros e queixumes,

Doce enlevo de noivos enlaçados

No delírio do amor…

Imóvel permanece a mãe junto à porta

Pois é preciso primeiro se certificar.

Ouve, sim, juras de amor, as mais ardentes,

Frases apaixonadas…

- Psiu! silêncio: o galo canta.

Amanhã, de noite, voltarás aqui?

E beijos sobre beijos…

Por mais tempo não pode conter a mãe a sua irritação

E abre o ferrolho da porta, que lhe é tão familiar:

“Há, porventura, meretrizes nesta casa, à disposição de quem chega?!

Entra no quarto e, à luz tênue da lâmpada, ela vê -

Horror! - vê sua própria filha.

No ímpeto do susto, o jovem ainda tenta

Encobrir o corpo da moça com a ponta do véu e com o cobertor,

Mas ela mesma se esgueira,

E como que tangida por um estranho poder de espectros

Seu vulto se adelgaça, e lento e levemente

Se ergue no ar, pairando sobre a cama.

“Mãe, ó mãe”, exclama com voz soturna,

“Por que perturbais, assim, a minha mais bela noite,

Expulsando-me deste tépido ninho?!

Despertei, acaso, para sossobrar de uma vez no desespero?

Não basta haverdes, tão cedo, me amortalhado

E, prematuramente, me conduzido à frieza do túmulo?

Da sujeição de minha tumba escura,

Impelida aqui fui por uma estranha força.

A estulta cantilena dos vossos sacerdotes

Não têm valor algum, nem as suas bênçãos.

O sal e a água não soem apaziguar

O frêmito sentimental da juventude:

Ai de mim! A terra não consegue sufocar o amor!

Este jovem, que aqui está,

Tornou-se meu noivo,

Quando ainda imperava o fúlgido templo de Venus

Ó mãe: no entanto, vós mesma quebrastes o voto da promessa,

Num ato errado de devoção, a que vos submetestes.

Deus algum, porém, dá ouvidos, jamais,

Às juras da mãe que promete sonegar a mão da filha.

Por isso, fui banida do meu túmulo,

Para reconquistar o bem perdido,

Para amar ainda o homem que me era destinado

E sugar o sangue do seu coração.

Sucumbindo ele, a outros terei de procurar:

E a raça dos jovens mortais será vencida pela minha sanha!

Formoso jovem, não poderás mais viver!

Aí onde estás principia o teu declínio:

Minha corrente de ouro eu te entreguei,

Comigo tenho o anel dos teus cabelos.

Olha-o bem! Amanhã tua cabeça estará branca

E só no Além conseguirá voltar à primitiva cor.

Agora ouve, mãe, a derradeira súplica:

Prepara, tu mesma, uma fogueira,

Abre, tu mesma, a minha estreita cova

E entre chamas conduze os amantes ao repouso.

E quando a chama se fizer,

E quando a cinza arder,

Pressurosos voaremos ao seio dos deuses antigos!”.

*Gratidão a Shirlei Massapust por me recordar desta grande obra!!Aliás, na comunidade do Bate-Papo Vox Vampyrica do Facebook - ela postou um texto muito interessante sobre Apolonio de Tiana desmascarando a tal Empusa...

Apolonio desmascara a la empusa de CorintoPor FilóstratoTraduzido do grego para espanhol por Alberto Bernabé Pajares
 En Corintio practicaba precisamente Apolonio por aquella época la filosofía Demetrio, hombre que había abarcado toda la vitalidade de la doctrina cínica. De él hace luego mención Favorino en muchos de sus discursos, y no sin generosidad. Le ocurrió respecto a Apolonio lo que dicen que le ocurrió a Antístenes respecto a la sabiduría de Sócrates; lo seguía, deseoso de ser su discípulo y pendiente de sus discursos, e incluso a los más estimados de sus seguidores los dirigió en pos de Apolonio.


Uno de ellos era Menipo de Licia, de veinticinco anos de edad, bastante dotado de inteligencia y bien proporcionado de cuerpo, pues parecía un atleta hermoso y de noble estirpe en su porte. La gente pensaba que a Menipo lo amaba una mujer extranjera. La mujer parecía hermosa y bastante elegante. Afirmaba que era rica, pero al parecer no era sencillamente nada de eso, sino sólo 10 parecía. Pues una vez que caminaba él solo por el camino de Cencreas , se le presentó una aparición y se convirtió en mujer. Lo tomó de la mano, asegurándole que lo amaba hacía tiempo; que era fenicia y vivía en un arrabal de Corinto. Dándole el nombre del arrabal, anadió:
— Si vas a la tarde, habrá para tí una canción, pues yo te cantaré, y vino como nunca lo bebiste. Además, no te molestará ningún competidor; sino que yo, hermosa, viviré con un hombre hermoso.Seducido por esto, el joven, que para la filosofía en general poesía gran vigor, pero de lo amoroso era un esclavo, la visitá por la tarde, y la frecuentó en adelante como a su amiga, sin reconocer al fantasma.Pero Apolonio, mirando a Menipo al modo de un escultor, delineó al joven y lo escrutó, así que, llegando a una conclusión negativa, dijo:
— Tú, hermoso sin duda, y objeto de acecho de las mujeres hermosas, acaricias una serpiente, y una serpiente, a ti — y, ante la sorpresa de Menipo, añadió —. Porque tu mujer no es una esposa. ¿Qué? ¿Piensas que eres amado por ella?
— Sí, por Zeus — contestó —, puesto que se comporta conmigo como quien ama.
— ¿Y te casarías con ella? — añadió.
— Efectivamente, sería grato casarse con la que nos ama.
Así pues, preguntó:
— ¿Y las bodas, cuándo?
— Prontas — contestó —, quizá mañana.Así que Apolonio, acechando el momento del banquete y presentándose a los comensales recién llegados, les dijo:
— ¿Dónde está esa elegante dama por la que habéis venido?
— Allí — dijo Menipo, y al tiempo se levantó, ruborizado.
— ¿Y la plata, el oro y lo demás con lo que está adornada la sala de banquetes, de quién de vosotros es?
— De mi mujer, pues esto es todo lo mío — contestó, señalando su manto de filósofo.
Apolonio dijo:
— ¿Conocéis los jardines de Tántalo, que son, pero no son?
— Sólo por Homero — contestaron —, ya que no hemos bajado al Hades.
— Pensad eso de esta ornamentación. Pues no es materia, sino apariencia de materia. Y para que sepáis lo que quiero decir, la buena novia es una de las empusas, a las que la gente considera lamias o mormolicias. Esas pueden amar, y aman los placeres sexuales, pero sobre todo la carne humana, y seducen con los placeres sexuales a quienes desean devorar.
Y ella dijo:
— ¡Deja de decir cosas de mal agüero y márchate! — y daba la impresión de estar irritada por lo que oía. De algún modo se burlaba de los filósofos, de que charlataneaban continuamente.

No obstante, cuando las copas de oro y lo que parecía plata demostraron ser cosas vanas y volaron todas de sus ajas, y los escanciadores, cocineros y toda la servidumbre de este jaez se esfumaron al ser refutados por Apolonio, la aparición pareció echarse a llorar y pedía que no se la torturara ni se la forzara a reconocer lo que era. Al insistir Apolonio y no dejarla escapar, reconoció que era una empusa y que cebaba de placeres a Menipo con vistas a devorar su cuerpo, pues acostumbraba a comer cuerpos hermosos y jóvenes porque la sangre de éstos era pura.
En esta narración , precisamente la más famosa de las de Apolonio, me he extendido por obligación, pues la mayoría de la gente sabe que tuvo lugar en media de Grecia, pero tienen idea en general de que venció una vez en Corinto a una lamia, pero lo que hacía y que fue en favor de Menipo, no lo saben aún. Lo que aquí he narrado, sin embargo, es la versión de Damis, y según sus propias palabras.
Entonces también tuvo diferencias con Baso de Corinto . De que era un parricida, no sólo tenía fama, sino que existía constancia de ello. Fingía ser sabio y no había freno para su lengua. Fero Apolonio detuvo sus vituperios con lo que escribió y los discursos que pronunció contra él. Pues todo lo que decía de que era una parricida se consideraba cierto; que en efecto nunca un hombre como él caería en la injuria ni diría lo que no es.
Texto extraído de:
FILÓSTRATO. Vida de Apolonio de Tiana. Madrid, Editorial Gredos, 1992, p 250-257





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