terça-feira, 15 de novembro de 2011

"O espírito da caçada" um conto de Lord A:.


Uma pequena prosa de minha autoria neste feriado modorrento e chuvoso...Ernest Hemingway e Frank Miller na adolescência podem adicionar um tempêro muito especial em nossas vidas...Não perca o programa www.voxvampyrica.com todas as quartas das 21h a 0h

A matilha dos cães latia e avançava mato a dentro.

Era algum momento da tarde, difuso pela névoa densa e a úmidade palpável no ar;detido pela ruéla de terra lamaçenta e sons difusos na ladeira por onde o garoto havia subido, bem lá longe nas casas de temporada dos turistas.A espingarda calibre.22 era pesada para sua pouca idade.Mas era a única disponível e o jantar daquela noite dependia dele e das três balas que o pai havia deixado com ele.O uívo dos sabujos anunciava que a presa tinha sido achada.Ainda que hesitante, o menino ajeitou o gorro e o cachecol de lã brancos com uma das mãos.Tomou o rifle nas duas mãos, como o pai havia ensinado; destampou e colocou a primeira bala, fechou o compartimento - ergueu o cano para o alto e pôs-se a correr pelo mato e a névoa na direção dos granhidos dos cães.

Mata mais ou menos alta, detendo seu avanço, palavrões, lama e poças d´agua.Se os cães estivessem com fome eles mesmos despedaçariam a caça - e não haveria jantar.Encontrar, posicionar e atirar - sem hesitar.Era tudo que lhe restava dalí em diante.A sujeira da lama, a tosse e tudo mais seria perdoado - bastava voltar para casa com a caçada.

Tudo era simples pacas naquela idade.Os meninos mais velhos da rua já faziam isso há tempos, agora era sua vez.Na semana passada já havia aprendido com eles a acender velas no mato e  e assustar a casa das suas primas lá perto, encenando as lendas dos antigos fantasmas da neblina junto ao seu amigo.Que escarcéu, que diversão...pena que ninguem nunca poderia saber.Agora era a vez de caçar sózinho pela primeira vez.

Sua testa e sua expressão estavam tão tensas quanto como se um portal pudesse emergir de suas poucas linhas de expressão.Suas mãos estavam machucada do arame farpado de uma cerca que havia se esgueirado para chega alí.

Corria e então viu que num declive seus alvos, um coelho negro e um coelho malhado.Os cães cercavam e latiam.Com algumas patadas violentas na lama, que espirrava para todo lado mantinham as presas cercadas.O garoto apoiou a empunhadura no ombro direito, direcionando a arma com a esquerda na direção do alvo.Fechou os dois olhos, como se toda canseira e correria deixassem de existir alí.Inspirou, sentindo um crepitar da base da coluna ao topo do crânio.Espirou pela boca calmamente enquanto abria o olho que mirava os coelhos.O som minguava a sua volta, os cães pareciam borrões, a relva e a lama, eram como manchas de aguada de nanquim e aquarela.Seu olhar com o olhar de um dos coelhos.Uma pressão no gatilho...

...um trovão ressoou nos céus...

Estava feito.Um coelho tombou.Sim,haveria jantar.Repetir os gestos como havia aprendido.Recarregar, engatilhar, mirar, inspirar, espirar lentamente e atirar,O outro coelho tombava.Como havia visto agora era afastar os cães, se impôr entre eles - confrontar sua resistência e tomar sua caçada.Amarrar as patinhas, jogar sobre os ombros e jactar que ainda havia sobrado uma bala - seus primos e os meninos ficariam impressionados.As primas e as meninas da outra jarda iriam reparar nele.

A chuva que hesitou por uma tarde inteira decidiu desmoronar sobre ele.Correr e chamar os cães, carregar o rifle, levar o jantar...era um herói retornando para o lar quente, banho de ervas e o abraço daqueles do sangue.Contar sua aventura a beira da lareira.Seria realmente perfeito...exceto pela sombra daquela mulher em meio ao que restava da névoa, gritava e esbravejava com os céus, cujo o trovejar pareciam uma resposta a ela.O menino pôs-se a correr dalí...rumo a velha rua de terra, deixando aquele lugar selvagem e torcendo para que o olhar dela, não tivesse visto ele...pois em dias de névoa e chuva, a loucura espreitava aqueles que se aventuravam naquela montanha.

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