terça-feira, 22 de maio de 2012

THERION, RUNAS UTHARK E CABALAS GÓTICAS (OU UPPSÁLICAS)PARTE2:


THERION, RUNAS UTHARK E CABALAS GÓTICAS (OU UPPSÁLICAS)PARTE2:
Um gosto de Sangue Renascentista...
de Lord A:.

A série de artigos "Therion, Runas Uthark e Cabalas Góticas(ou Uppsálicas) foi escrita inicialmente nas impressões, viagens e pesquisas feita ao longo dos anos curtindo as músicasda banda de metal sinfônico Therion - e mais recentemente contextualizado e desenvolvido baseada na apreciação das obras "Uthark:Nightside of Runes" e também "Qabalah, Qliphoth and Goetic Magic" ambas de Thomas Kalrsson - o mentor e por vezes o próprio autor de muitas delas.Logo, estes artigos poderiam ser como uma visão mais aprofundada dos conteúdos abordados no contexto musical e do plano conceitual e filosófico da banda Therion.Para quem não conhece, Thomas é o mentor criativo de algumas das letras mais ricas de referências e simbolismos da banda.Ele é um erudito em história, religião, mitologia, runosofia e filosofia.Possui doutorado em História da Religião e mestrado em História das Idéias pela Universidade de Estocolmo, onde, em meados de 2007, realizou o primeiro curso sueco de Esoterismo Ocidental.E ainda arranja tempo para escrever livros sobre ocultismo, como aqueles que utilizei ao longo desta série.Ah sim, ele é o fundador da Ordo Dragon Rouge...Enfim, tenham uma boa viagem ao degustarem esta série...


Cada época tem um sabor especial no "Sangue".Ao pensarmos nos tempos e nos reinos de quando Johannes Bureus vívia torna-se convergente desvelarmos e nos inspirarmos naquilo que estava ao seu alcance naquele momento.As pessoas se viravam com aquilo que tinham para traduzir a realidade circundante, não era estranho de se pensar (quando os antigos deuses e seus cultos haviam sumido aos olhos do grande público) de que o que vinha do passado fosse o que estivesse na Bíblia dos invasores.Havia uma crença (para aqueles que estavam sob a cruz dos católicos) de que num passado distante havia existido uma única língua e que era usada por todas as nações da Terra, mas que devido ao fatídico acidente da Torre de Babél havia sído fraturada em milhares de línguas e assim nínguem mais podia se entender.Sob o olhar renascentista tal língua ancestral foi o Hebráico.Logo, não surpreenderia se o contexto cultural daquele tempo utilizasse como seu fundamento o próprio hebráico para reconstituir outras línguas perdidas em outras terras e de outras tribos.Afinal de contas tal idioma poderia ser a língua humana original ou perfeita - e certamente a língua dos "anjos" - ou ainda a língua dos pássaros...letras e alfabetos de poder por toda parte, como rostos refletidos pela luminosidade do luar nas águas de um lago plácido...imagens pagãs e vivências, tentando ser retratadas pelo lírismo das letras de todos os tempos.

Neste contexto o idioma hebráico tinha uma vantagem considerável, a cabala ou pelo menos aquilo que os europeus pensavam terem descoberto ou aprendido sobre ela com os judeus ao longo dos séculos.Em especial o que havia emergido na Itália sobre o tema.Sob este viés havia um "colega" pesquisador de Johannes que era chamado Guilaume Postel e que teorizou em suas publicações e trabalhos que todas as letras hebráicas eram variações da letra "Yod" - assim ele talvez acreditasse haver encontrado a língua original e perfeita, vinda da terra original e perfeita...Se adicionarmos a esta borbulhante mistura uma outra crença ou lugar comum daquele mesmo período, teremos o personagem bíblico "Japhet, filho de Noé" o último iniciado ou dotado a falar a língua original (chamada Japhetiano, que também podia ser uma língua iniciática ou o nome de uma etnia que acredita-se haver dominado tal idioma) que vinha da terra original.Nem todos unificavam ou estabeleciam uma ponte entre a língua original e a terra original.Para Johannes Bureus e alguns de seus conterrâneos sua visão da "terra original" era a Atlântida dos escritos de Platão, que ficava na sua amada Escandinávia, pense em termos da célebre "Ultima Thule".Sendo assim sua língua original víria pela compreensão do alfabeto rúnico - mesmo que tal compreensão fosse desenvolvida por um sistema próprio...mesmo que recordasse um cádinho dos alinhamentos do Futhark Dinamarquês com um ordenamento ou arranjo suéco.Pelo menos é o que encontraremos na obra do pesquisador Stephen Edred Flowers e Susan Ackerman do final da década de oitenta e começo da década de noventa; e ainda de Thomas Karlsson e de Gangleri cujos os escritos serão conhecidos a partir do século XXI e .
conheceremos todos eles adiante neste artigo.

Quando pensamos em termos renascentistas de um possível mix entre a espiritualidade nórdica e a tradição ocidental, temos na figura de Johannes Bureus (1568-1652) a imagem do primeiro runólogo.Ele nasceu em Uppsala, onde existiu o maior e o último de todos os templos pagãos dedicado aos deuses nórdicos que conhecemos.Sua formação cultural incluiu estudos na Suécia, Alemanha e Itália, foi profundo estudioso da Qabalah, magia medieval e das pedras rúnicas que existem até hoje.Ele aprendeu a "falar" e entender as runas com os próprios fazendeiros do distante norte da Suécia.Acreditamos que ele conhecia o trabalho de Saxo Grammaticus e manuscritos primervos dos Eddas.Sua base para desenvolver uma runologia esotérica foi influenciada pela Monas Hieroglyphica  do astrólogo e mago britânico John Dee e ainda escreveu outras obras para auxiliar as pessoas a escreverem e entenderem as runas (conforme apresentamos no primeiro artigo desta série, que você pode ler aqui).Outra influência palpável em sua obra foram os escritos de Guilaume Postel, que o levou a localizar a Atlântida de Platão em território escandinávo e as runas como a linguagem dos filhos de Japhet e a língua original do mundo antes da tragédia da Torre de Babél.O sistema runológico da Cabala Gótica ou Cabala Uppsálica foi sua grande obra e descrita no livreto Adalruna Rediviva.Tal obra foi resgatada pelos escritos do norte-americano Stephen Flowers e de pesiquisadora da suécia Susan Akerman interessada em história rosacruz entre o final da década de oitenta e começo de noventa.E posteriormente pelos escritos de Gangleri e de Thomas Karlsson na primeira década do século XXI e aparentemente na segunda década deste mesmo século esta série de artigos estão reunindo todas estas obras modernas e fomentando novas inspirações..

Sabemos que a Renascença começou na Itália por volta de 1400 e o norte da europa acompanhou este movimento umas poucas décadas depois.A principal característica renascentista é a renovação dos interesses pelas crenças e cultuas esquecidas, um desenlace da cultura escolástica medievalesca e um renascimento do paganismo e expressões similares - ao menos é o que teremos nas regiões do sul da Europa, mesmo em tempos que a cristandade era potencialmente forte, haverão avanços na arquitetura, literatura, filosofia através do imaginário pré-cristão como nunca foi visto.Ao norte da Europa veremos bastante influências de Júpiter, Apollo, Venus e Marte...o que será estranho, pois se a mentalidade renascentista tivesse se apropriado das raízes protogermânicas, teutônicas, nórdicas e céltas o vôo pelo imaginário seria ainda mais alto.As principais lendas destes povos foram transcritas no papel ainda durante a idade das trevas.Pense nas lendas do Graal escritas em torno de1200 por autores como Chrétien de Troyes (1135-1183), Robert de Boron (±1200) e Wolfram von Eschenbach (±1170-1220).Naquele mesmo tempo, havia Snorri Sturluson (1179-1241) com as Prose Edda ou Younger Edda e a Heimskringla ou "História dos Reis dfa Noruega".Também eram os tempos de Saxo Grammaticus (1140-1206) e sua famosa "Gesta Danorum" ou História da Dinamarca.Ainda assim eram considerados textos desinteressantes e só foram publicados depois do século XVII.Logo houve bastante desinformação e desconhecimento sobre a própria história nórdica entre as pessoas do norte nos tempos renascentistas.O que significa que era mais simples e corriqueiro se ler sobre deuses latinos e sobre a religião católica do que sobre Thor, Odin, Frey e tantos outros - mais conhecidos a base de escutar na orelhada quando se viajava pelos campos e terras distantes dos centros urbanos.

Segundo o artigo "The First Northern Renaissance" de Stephen Erdred Flowers vamos poder descobrir que a cultura germânica sobreviveu de forma vibrante através dos mitos dos heróis seculares e do ritual da religião eclesiastica.Também seremos apresentados sobre a cristandade germãnica que foi trazida a Escandinávia e como eles imprimiram obras sobre mitologia durante os tempos da "Reforma".Depois de mais de trezentos anos depois da compilação dos Eddas que suas sagas, histórias e textos sobre leis nativas passaram a interessar históricamente.Os bispos da suécia Johannes Store, mais conhecido como Johannes Magnus”, 1488-1544 e seu irmão Olaus (1490-1588) desenvolveram escritos sobre a história do seu país.Bem como o poeta Johannes Messenius (1579-1636) realizou no século seguinte inspirado por estas histórias.Outro poeta germânico famoso foi Ulrich von Hutten (1488-1523) que escreveu sobre os "Cheruskian" (uma tribo germânica) vitoriósa sobre os romanos no passado distante.A literatura e a história focalizada em interesses nativos interessou por bastante tempo.O poeta suéco Georg Stiernhelm (inicialemnte Jöran Cuprimontanus Lilja, de 1620) combinou a runologia daquele tempo com a poesia, Stephan Stephanius (ou Stephan Hansen ou ainda Stephanus Johannes, 1599-1650) sustentou o interesse pela história nativa dinamarquesa.Tudo isso culminou com o fato de que o século XVII a universidade oficialmente manteve cadeiras acadêmicas profisisionaise museus dedicados ao passado nativo dinamarquês, suéco e das terras geladas.

Ainda assim ao lermos o artigo intitulado "The Export of Islandica in the 17th Century" de Regina Jucknies, perceberemos que muitas das sagas Islandesas foram transferidas para a Suécia e Dinamarca - deixando o local de suas origens e adaptadas para outros povos.O que já não agradou o povo em 1618 conforme pode ser lído na chamada "Epistola Pro Patria Defensoria" de um homem chamado Arngrímur Jónsson lærði.Tal obra atraiu a atenção de forma inesperada e oposta do que o autor planejava.Os historiadores dinamarqueses se interessaram em todas as sagas que vinham de lá, acreditando que continham informações sobre a cultura e herança, não dos reis da Islândia e das terras geladas e sim a respeito dos velhos reis dinamarqueses e escandinávos.A história dos Reis da Noruega (Heimskringla) foi traduzida para o Dinamarquês em 1633 e muitos textos similares foram roubados das terras geladas esvaziando suas bibliotecas.Como reação o bispo Brynjólfur Sveinsson (1605-1675) contratou Jón Guðmundsson lærði (conhecido como Björn Jónsson á Skarðsá, 1574-1658) para copiar as poesias, sagas e leis dos textos da Edda para preservarem em seus domínios tais conteúdos.Neste processo Brynjólfur estabelece um elo com outras fontes informativas como o rei Fredrik III (1609-1670) a quem servia  Thormod Torfaeus, Brynjólfur entregou o famoso "Codex Regius", que continha a chamada Edda Velha ou Edda Poética em 1662. Os textos foram publicados por Peder Hans Resen (1625-1668) in 1665. Posteriorrmente Brynjólfur esteve em contato com Ole Worm, conhecido rival de Johannes Bureus.

Ole Worm ou Olaus Wormius (1588-1654) nasceu em Århus, teve uma educação apropriada estudando na Alemanha e na Itália.Ele foi um dos primeiros a estudar as pedras-rúnicas que podiam ser encontradas na Noruega e Dinamarca, estabeleceu um calendário rúnico através de suas pesquisas e esteve em contato coms primeiros e díspares agrupamentos rosacruzes germânicos - provavelmente onde teria começado as mixagens entre runologia e sabedoria hermética, bem como magia medieval e cabala.Em alguns livros da ‘Bibliotheca Philosophica Hermetica’ lá na Holanda, temos que Carlos Gilly conta que durante o ano de 1611, Worm teve acesso a uma cópia do "Fama Fraternitates" antes de sua publicação.Este havia sido o primeiro manifesto Rosacruciano vindo da Alemanha.Sua primeira publicação se deu só em 1614 depois de ter ficado como manuscrito por alguns anos.Contam que foi o professor da cáterda de quimica Johann Hartmann quem apresentou a cópia para Worm.Nas décadas posteriores teremos pessoas como Olaf Rudbeck (1630-1703) em sua obra "Alland Eller Manhem"(‘Terra Natal de Todos’) tentando provar que a Escandinávia era o berço de toda raça humana (algo não muito original) e logo virá a busca pela linguagem original.A respeito desta última outros povos como os Gaélicos reclamaram para sí a posse da línguia original, anterior aos eventos bíblicos da Torre de Babel.Dante Aligheri (1265-1321) já havia dito algo similar no seu tempo.E através da renascença tal extravagância prosseguiu.Até que Jan van Gorp (or Goropius Becanus (1518-1572) afirmou que os ancestrais do povo da Antuérpia eram os Cimbriants, descendentes diretos dos filhos de Japhet que não estiveram presente quando houve o incidente bíblico da Torre de Babel, e assi mantiveram a linguagem perfeita.Não estranharemos que neste cenário o francês Guillaume Postel(1510-1581) escrevesse uma obra original sobre idiomas, e postulasse o Hebreu, como a língua original e ainda oferecesse suporte para um "revivial" celta e o que sonhava que seria acompanhado por uma revolução de artes e de ciências.Ao menos ele influênciou o trabalho de Bureus.


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