terça-feira, 22 de maio de 2012

THERION, RUNAS UTHARK E CABALAS GÓTICAS (OU UPPSÁLICAS)PARTE2:


THERION, RUNAS UTHARK E CABALAS GÓTICAS (OU UPPSÁLICAS)PARTE2:
Um gosto de Sangue Renascentista...
de Lord A:.

A série de artigos "Therion, Runas Uthark e Cabalas Góticas(ou Uppsálicas) foi escrita inicialmente nas impressões, viagens e pesquisas feita ao longo dos anos curtindo as músicasda banda de metal sinfônico Therion - e mais recentemente contextualizado e desenvolvido baseada na apreciação das obras "Uthark:Nightside of Runes" e também "Qabalah, Qliphoth and Goetic Magic" ambas de Thomas Kalrsson - o mentor e por vezes o próprio autor de muitas delas.Logo, estes artigos poderiam ser como uma visão mais aprofundada dos conteúdos abordados no contexto musical e do plano conceitual e filosófico da banda Therion.Para quem não conhece, Thomas é o mentor criativo de algumas das letras mais ricas de referências e simbolismos da banda.Ele é um erudito em história, religião, mitologia, runosofia e filosofia.Possui doutorado em História da Religião e mestrado em História das Idéias pela Universidade de Estocolmo, onde, em meados de 2007, realizou o primeiro curso sueco de Esoterismo Ocidental.E ainda arranja tempo para escrever livros sobre ocultismo, como aqueles que utilizei ao longo desta série.Ah sim, ele é o fundador da Ordo Dragon Rouge...Enfim, tenham uma boa viagem ao degustarem esta série...


Cada época tem um sabor especial no "Sangue".Ao pensarmos nos tempos e nos reinos de quando Johannes Bureus vívia torna-se convergente desvelarmos e nos inspirarmos naquilo que estava ao seu alcance naquele momento.As pessoas se viravam com aquilo que tinham para traduzir a realidade circundante, não era estranho de se pensar (quando os antigos deuses e seus cultos haviam sumido aos olhos do grande público) de que o que vinha do passado fosse o que estivesse na Bíblia dos invasores.Havia uma crença (para aqueles que estavam sob a cruz dos católicos) de que num passado distante havia existido uma única língua e que era usada por todas as nações da Terra, mas que devido ao fatídico acidente da Torre de Babél havia sído fraturada em milhares de línguas e assim nínguem mais podia se entender.Sob o olhar renascentista tal língua ancestral foi o Hebráico.Logo, não surpreenderia se o contexto cultural daquele tempo utilizasse como seu fundamento o próprio hebráico para reconstituir outras línguas perdidas em outras terras e de outras tribos.Afinal de contas tal idioma poderia ser a língua humana original ou perfeita - e certamente a língua dos "anjos" - ou ainda a língua dos pássaros...letras e alfabetos de poder por toda parte, como rostos refletidos pela luminosidade do luar nas águas de um lago plácido...imagens pagãs e vivências, tentando ser retratadas pelo lírismo das letras de todos os tempos.

Neste contexto o idioma hebráico tinha uma vantagem considerável, a cabala ou pelo menos aquilo que os europeus pensavam terem descoberto ou aprendido sobre ela com os judeus ao longo dos séculos.Em especial o que havia emergido na Itália sobre o tema.Sob este viés havia um "colega" pesquisador de Johannes que era chamado Guilaume Postel e que teorizou em suas publicações e trabalhos que todas as letras hebráicas eram variações da letra "Yod" - assim ele talvez acreditasse haver encontrado a língua original e perfeita, vinda da terra original e perfeita...Se adicionarmos a esta borbulhante mistura uma outra crença ou lugar comum daquele mesmo período, teremos o personagem bíblico "Japhet, filho de Noé" o último iniciado ou dotado a falar a língua original (chamada Japhetiano, que também podia ser uma língua iniciática ou o nome de uma etnia que acredita-se haver dominado tal idioma) que vinha da terra original.Nem todos unificavam ou estabeleciam uma ponte entre a língua original e a terra original.Para Johannes Bureus e alguns de seus conterrâneos sua visão da "terra original" era a Atlântida dos escritos de Platão, que ficava na sua amada Escandinávia, pense em termos da célebre "Ultima Thule".Sendo assim sua língua original víria pela compreensão do alfabeto rúnico - mesmo que tal compreensão fosse desenvolvida por um sistema próprio...mesmo que recordasse um cádinho dos alinhamentos do Futhark Dinamarquês com um ordenamento ou arranjo suéco.Pelo menos é o que encontraremos na obra do pesquisador Stephen Edred Flowers e Susan Ackerman do final da década de oitenta e começo da década de noventa; e ainda de Thomas Karlsson e de Gangleri cujos os escritos serão conhecidos a partir do século XXI e .
conheceremos todos eles adiante neste artigo.

Quando pensamos em termos renascentistas de um possível mix entre a espiritualidade nórdica e a tradição ocidental, temos na figura de Johannes Bureus (1568-1652) a imagem do primeiro runólogo.Ele nasceu em Uppsala, onde existiu o maior e o último de todos os templos pagãos dedicado aos deuses nórdicos que conhecemos.Sua formação cultural incluiu estudos na Suécia, Alemanha e Itália, foi profundo estudioso da Qabalah, magia medieval e das pedras rúnicas que existem até hoje.Ele aprendeu a "falar" e entender as runas com os próprios fazendeiros do distante norte da Suécia.Acreditamos que ele conhecia o trabalho de Saxo Grammaticus e manuscritos primervos dos Eddas.Sua base para desenvolver uma runologia esotérica foi influenciada pela Monas Hieroglyphica  do astrólogo e mago britânico John Dee e ainda escreveu outras obras para auxiliar as pessoas a escreverem e entenderem as runas (conforme apresentamos no primeiro artigo desta série, que você pode ler aqui).Outra influência palpável em sua obra foram os escritos de Guilaume Postel, que o levou a localizar a Atlântida de Platão em território escandinávo e as runas como a linguagem dos filhos de Japhet e a língua original do mundo antes da tragédia da Torre de Babél.O sistema runológico da Cabala Gótica ou Cabala Uppsálica foi sua grande obra e descrita no livreto Adalruna Rediviva.Tal obra foi resgatada pelos escritos do norte-americano Stephen Flowers e de pesiquisadora da suécia Susan Akerman interessada em história rosacruz entre o final da década de oitenta e começo de noventa.E posteriormente pelos escritos de Gangleri e de Thomas Karlsson na primeira década do século XXI e aparentemente na segunda década deste mesmo século esta série de artigos estão reunindo todas estas obras modernas e fomentando novas inspirações..

Sabemos que a Renascença começou na Itália por volta de 1400 e o norte da europa acompanhou este movimento umas poucas décadas depois.A principal característica renascentista é a renovação dos interesses pelas crenças e cultuas esquecidas, um desenlace da cultura escolástica medievalesca e um renascimento do paganismo e expressões similares - ao menos é o que teremos nas regiões do sul da Europa, mesmo em tempos que a cristandade era potencialmente forte, haverão avanços na arquitetura, literatura, filosofia através do imaginário pré-cristão como nunca foi visto.Ao norte da Europa veremos bastante influências de Júpiter, Apollo, Venus e Marte...o que será estranho, pois se a mentalidade renascentista tivesse se apropriado das raízes protogermânicas, teutônicas, nórdicas e céltas o vôo pelo imaginário seria ainda mais alto.As principais lendas destes povos foram transcritas no papel ainda durante a idade das trevas.Pense nas lendas do Graal escritas em torno de1200 por autores como Chrétien de Troyes (1135-1183), Robert de Boron (±1200) e Wolfram von Eschenbach (±1170-1220).Naquele mesmo tempo, havia Snorri Sturluson (1179-1241) com as Prose Edda ou Younger Edda e a Heimskringla ou "História dos Reis dfa Noruega".Também eram os tempos de Saxo Grammaticus (1140-1206) e sua famosa "Gesta Danorum" ou História da Dinamarca.Ainda assim eram considerados textos desinteressantes e só foram publicados depois do século XVII.Logo houve bastante desinformação e desconhecimento sobre a própria história nórdica entre as pessoas do norte nos tempos renascentistas.O que significa que era mais simples e corriqueiro se ler sobre deuses latinos e sobre a religião católica do que sobre Thor, Odin, Frey e tantos outros - mais conhecidos a base de escutar na orelhada quando se viajava pelos campos e terras distantes dos centros urbanos.

Segundo o artigo "The First Northern Renaissance" de Stephen Erdred Flowers vamos poder descobrir que a cultura germânica sobreviveu de forma vibrante através dos mitos dos heróis seculares e do ritual da religião eclesiastica.Também seremos apresentados sobre a cristandade germãnica que foi trazida a Escandinávia e como eles imprimiram obras sobre mitologia durante os tempos da "Reforma".Depois de mais de trezentos anos depois da compilação dos Eddas que suas sagas, histórias e textos sobre leis nativas passaram a interessar históricamente.Os bispos da suécia Johannes Store, mais conhecido como Johannes Magnus”, 1488-1544 e seu irmão Olaus (1490-1588) desenvolveram escritos sobre a história do seu país.Bem como o poeta Johannes Messenius (1579-1636) realizou no século seguinte inspirado por estas histórias.Outro poeta germânico famoso foi Ulrich von Hutten (1488-1523) que escreveu sobre os "Cheruskian" (uma tribo germânica) vitoriósa sobre os romanos no passado distante.A literatura e a história focalizada em interesses nativos interessou por bastante tempo.O poeta suéco Georg Stiernhelm (inicialemnte Jöran Cuprimontanus Lilja, de 1620) combinou a runologia daquele tempo com a poesia, Stephan Stephanius (ou Stephan Hansen ou ainda Stephanus Johannes, 1599-1650) sustentou o interesse pela história nativa dinamarquesa.Tudo isso culminou com o fato de que o século XVII a universidade oficialmente manteve cadeiras acadêmicas profisisionaise museus dedicados ao passado nativo dinamarquês, suéco e das terras geladas.

Ainda assim ao lermos o artigo intitulado "The Export of Islandica in the 17th Century" de Regina Jucknies, perceberemos que muitas das sagas Islandesas foram transferidas para a Suécia e Dinamarca - deixando o local de suas origens e adaptadas para outros povos.O que já não agradou o povo em 1618 conforme pode ser lído na chamada "Epistola Pro Patria Defensoria" de um homem chamado Arngrímur Jónsson lærði.Tal obra atraiu a atenção de forma inesperada e oposta do que o autor planejava.Os historiadores dinamarqueses se interessaram em todas as sagas que vinham de lá, acreditando que continham informações sobre a cultura e herança, não dos reis da Islândia e das terras geladas e sim a respeito dos velhos reis dinamarqueses e escandinávos.A história dos Reis da Noruega (Heimskringla) foi traduzida para o Dinamarquês em 1633 e muitos textos similares foram roubados das terras geladas esvaziando suas bibliotecas.Como reação o bispo Brynjólfur Sveinsson (1605-1675) contratou Jón Guðmundsson lærði (conhecido como Björn Jónsson á Skarðsá, 1574-1658) para copiar as poesias, sagas e leis dos textos da Edda para preservarem em seus domínios tais conteúdos.Neste processo Brynjólfur estabelece um elo com outras fontes informativas como o rei Fredrik III (1609-1670) a quem servia  Thormod Torfaeus, Brynjólfur entregou o famoso "Codex Regius", que continha a chamada Edda Velha ou Edda Poética em 1662. Os textos foram publicados por Peder Hans Resen (1625-1668) in 1665. Posteriorrmente Brynjólfur esteve em contato com Ole Worm, conhecido rival de Johannes Bureus.

Ole Worm ou Olaus Wormius (1588-1654) nasceu em Århus, teve uma educação apropriada estudando na Alemanha e na Itália.Ele foi um dos primeiros a estudar as pedras-rúnicas que podiam ser encontradas na Noruega e Dinamarca, estabeleceu um calendário rúnico através de suas pesquisas e esteve em contato coms primeiros e díspares agrupamentos rosacruzes germânicos - provavelmente onde teria começado as mixagens entre runologia e sabedoria hermética, bem como magia medieval e cabala.Em alguns livros da ‘Bibliotheca Philosophica Hermetica’ lá na Holanda, temos que Carlos Gilly conta que durante o ano de 1611, Worm teve acesso a uma cópia do "Fama Fraternitates" antes de sua publicação.Este havia sido o primeiro manifesto Rosacruciano vindo da Alemanha.Sua primeira publicação se deu só em 1614 depois de ter ficado como manuscrito por alguns anos.Contam que foi o professor da cáterda de quimica Johann Hartmann quem apresentou a cópia para Worm.Nas décadas posteriores teremos pessoas como Olaf Rudbeck (1630-1703) em sua obra "Alland Eller Manhem"(‘Terra Natal de Todos’) tentando provar que a Escandinávia era o berço de toda raça humana (algo não muito original) e logo virá a busca pela linguagem original.A respeito desta última outros povos como os Gaélicos reclamaram para sí a posse da línguia original, anterior aos eventos bíblicos da Torre de Babel.Dante Aligheri (1265-1321) já havia dito algo similar no seu tempo.E através da renascença tal extravagância prosseguiu.Até que Jan van Gorp (or Goropius Becanus (1518-1572) afirmou que os ancestrais do povo da Antuérpia eram os Cimbriants, descendentes diretos dos filhos de Japhet que não estiveram presente quando houve o incidente bíblico da Torre de Babel, e assi mantiveram a linguagem perfeita.Não estranharemos que neste cenário o francês Guillaume Postel(1510-1581) escrevesse uma obra original sobre idiomas, e postulasse o Hebreu, como a língua original e ainda oferecesse suporte para um "revivial" celta e o que sonhava que seria acompanhado por uma revolução de artes e de ciências.Ao menos ele influênciou o trabalho de Bureus.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

THERION, RUNAS UTHARK E CABALAS GÓTICAS (OU UPPSÁLICAS) PARTE1


THERION, RUNAS UTHARK E CABALAS GÓTICAS (OU UPPSÁLICAS)PARTE1:
Um pouco sobre o mestre rúnico Johannes Bureus
de Lord A:.

A série de artigos "Therion, Runas Uthark e Cabalas Góticas(ou Uppsálicas) foi escrita inicialmente nas impressões, viagens e pesquisas feita ao longo dos anos curtindo as músicas da banda de metal sinfônico Therion - e mais recentemente contextualizado e desenvolvido baseada na apreciação das obras "Uthark:Nightside of Runes" e também "Qabalah, Qliphoth and Goetic Magic" ambas de Thomas Karlsson - o mentor e por vezes o próprio autor de muitas delas.Logo, estes artigos poderiam ser como uma visão mais aprofundada dos conteúdos abordados no contexto musical e do plano conceitual e filosófico da banda Therion.Para quem não conhece, Thomas é o mentor criativo de algumas das letras mais ricas de referências e simbolismos da banda.Ele é um erudito em história, religião, mitologia, runosofia e filosofia.Possui doutorado em História da Religião e mestrado em História das Idéias pela Universidade de Estocolmo, onde, em meados de 2007, realizou o primeiro curso sueco de Esoterismo Ocidental.E ainda arranja tempo para escrever livros sobre ocultismo, como aqueles que utilizei ao longo desta série.Ah sim, ele é o fundador da Ordo Dragon Rouge...Enfim, tenham uma boa viagem ao degustarem esta série...

Quando penso no conjunto da obra produzido pela banda Therion nos últimos 25 anos e seus principais mentores criativos o Christofer Johnsson (fundador e guitarrista) e Thomas Kalrsson (letrista e ex-baterista), não consigo ficar sem me recordar de Richard Wagner e suas óperas como "Anel dos Ninbelungos" ou "Parzifal" repletas de referências ocultistas e pagãs.Como descreve o escritor brasileiro Adriano Camargo Monteiro, temos na banda Therion um amplo contexto mitológico, filosófico e ocultista e certamente posso acrescentar grandes e inesquecíveis músicas através desta trajetória.Na terça-feira 5 de junho de 2012 eles estarão no Brasil novamente para apresentarem um show especial em comemoração aos 25 anos de existência, com um repertório focado no álbum "The Secret of Runes" do começo da última década e canções inéditas nos palcos de álbuns mais recentes como "Gothic Kabbalah" e "Sitra Ahra".No transcorrer desta artigo vou enfocar conteúdos e referências das letras presentes no "Gothic Kabbalah", onde encontramos referências históricas sobre o momento em que runas nórdicas e a cabala leiga se encontraram nas terras da Suécia, mais precisamente em Uppsala pelo trabalho de Johannes Bureus entre o final do século XVI e começo do século XVII.Tal encontro se tornará um "sistema mágicko" pelas mãos e o trabalho de Bureus que ficará conhecido como Cabala Gótica ou Cabala Uppsálica - sendo até hoje estudado, debatido e alvo de interesses acadêmicos, folclóricos e ocultistas variados, pelo fato de ser um fato histórico e que influenciou até mesmo o idioma local naqueles tempos.

As músicas dos álbuns "The Secret of Runes" e "Gothic Kabbalah" versam sobre a espiritualidade nórdica e além da sofisticação e elaborada melodia sinfônica, trazem uma profunda vivência dos autores das letras junto ao tema.Aqui encontraremos Christopher Johnsson e Thomas  Kalrsson , acrescidas com a vivência prática junto a ordem ocultista Dracon Rouge.O conteúdo velado (o pano de fundo) destes álbuns podem ser encontrados no livro de Thomas Kalrsson  chamado "Uthark:Nightside of the Runes".Infelizmente o livro é de difícil acesso e aparentemente está fora de catálogo (ao menos ainda estava durante maio/2012).As runas Uthark, a Cabala Gótica (ou Uppsálica) iniciam com Johannes Bureus(1568-1652) que viajou na companhia do Rei da Suécia escrevendo e catalogando descobertas sobre as rúnas e sua espiritualidade.A principal fonte de inspiração de Bureus era a Qabalah e a alquimia, também era um ávido leitor de Agrippa, Paracelsus, Ruchlin e outros autores de ocultismo contemporâneos(nem vou entrar no mérito de como Swedenborg e posteriormente os românticos beberiam nestas mesmas fontes, para se armarem contra os exageros da era da "razão").

Bureus estudou comparativamente o saber rúnico e a Quabalah, convecencendo-se de que as runas tinham diferentes dimensões.Ele acreditava que além de servirem como letras para a escrita também eram símbolos esotéricos e mágickos.Assim batizou esta dimensão secreta de "Nobres Runas"(Adul Runes), de acordo seus estudos e práticas veio a trocar de lugar a primeira letra, passando-a para o final da antiga lineáridade rúnica escandinávas.Também  descreveu 15 "bastões rúnicos"(Stave, que alguns traduzem como estrofes) dividindo em três "Aettir"(este termo será aprofundado em futuros artigos) com cinco runas cadas.A primeira foi chamada de (em idioma suéco) Födare, princípio de "dar-a-luz"; a segunda de Fódelse, o nascimento; e a terceira de Foetus(ou Foster, em suéco), "aquilo-que-nasce".Bureus acreditava que as runas vinham de tempos antigos e foram criadas (ou trazidas para o Jardim Selvagem) por um ser mítico chamada "Byrger Tidesson"(que certamente os fãs da banda se recordam do nome pelo refrão da música Son of Stave of Time).Depois destas descobertas Johannes Bureus escreveu um livro de ABC Rúnico e procurou meios para que a população da Suécia voltassem a escrever em rúnico novamente.Tal campanha ganhou popularidade entre oficiais do exército suéco que passaram a utilizarem as runas como código secreto durante a guerra dos trinta anos.Desta forma o trabalho de Bureus entrou para a história do reino, mesmo que de forma velada e até mesmo obscura.

Uma criação importante de Bureus foi a chamada "The Falling Stone", podemos traduzir como "a pedra-que-cai" ou "pedra-cadente", cujo nome batiza a canção "The Falling Stone" do álbum "Gothic Kabbalah" do Therion.Ela conta com um interessante colóquio entre duas personagens que aparentam ser deídades, interpretada por um belo dueto feminino, especulando o que aconteceria se os lampejos de sabedoria que emanam da tal pedra despertariam nos humanos.Distante do norte-da-europa pelo território, mas não pelas imigrações e influências culturais, a sabedoria perene das bruxas do leste-europeu usava uma única palavra para se referir as meteóros, estrelas cadentes, dragões e anjos-caídos -conforme nos conta a obra Balkan Traditional Witchcraft do húngaro Radomir Ristc.E de fato na canção "The Falling Stone" temos uma referência comparativa á tal "pedra-cadente" ser a esmeralda que adornava a fronte do primeiro anjo caído.Contam que tais seres fantásticos caíam do céu nos troncos de árvores ôcas e dalí surgiam ou se ramificavam seus descendentes pelo mundo, um olhar amoroso sobre o surgimento dos ancestrais míticos de cada linhagem.Já na obra de Johannes Bureus, temos que a "The Falling Stone" foi um símbolo cujo o desenho era composto por uma pedra cúbica da qual apenas três lados são revelados e cada um retrata cinco runas dispostas em forma de cruz - estas eram as "Nobres Runas" - que inclusive pode ser conferido no encarte do álbum "Gothic Kabbalah".

Outra representação relevante de Johannes Bureus é a chamada "Adulruna" (Runa Nobre) que contêm as quinze "Nobres Runas" (Adul Runes).A importância desta representação é tanta que ela é comparada á mona hieroglífica criada por John Dee, com suas peculiares representações planetárias.Para os menos familiarizados, John Dee e Edward Kelley foram magistas britânicos que através dos anos de 1582 á 1589 registraram uma série de diálogos com deídades fantásticas(nomeadas como anjos por eles) e assim canalizaram um alfabeto e um potente idioma de poder chamado Enochiano.A tal da "mona hieroglífica" criada por Dee foi um relevante simbolo de poder, que até hoje é considerada a chave de um antigo saber astrológico e magístico - que merece um futuro ensaio. Desconheço se haja informação pormenorizada neste sentido, porque há uma curiosa afinidade e convergência entre Adulruna e a Mona Hiroglifica e da obra de Dee e de Bureus.Na realidade penso que os escritos e as obras de John Dee, Johannes Bureus e Francis Bacon merecem uma maior atenção pelos apreciadores dos temas deste texto.

A "Adulrune" de Bureus é um mapa da progressão do universo e do humano através de diferentes níveis da existência, que remete ao "Otz Chim" da Qabalah, mais conhecida como "Árvore da Vida" e que nos recordará o símbolo da Ygdrassil ou "Árvore-do-Mundo".As "Nobres Runas" atuam como a união do humano e do universo, microcosmo e macrocosmo.No centro da representação temos a runa Hagal que segundo Bureus significa "nobreza" e age como pivô da representação, ela contêm a semente ou o avivamento que contêm (ou permite traçar) todas as outras runas.No Adulruna de Bureus há uma trilha de progressão hermética, a cruz vertical descreve a progressão do adepto se elevando da escuridão da ignorância através do esplendor celeste para o princípum absoltae primum - semelhante ao Ain Soph cabalístico.O ponto mais elevado é representado como a "Runa-do-Deus", o espírito e o único.Correspondendo a runa de Thor(Thurs) a mais alta deídade na Cabala Gótica de Bureus.O plano material menos elevado e dualístico era representado horizontalmente pela runa Byrghall.O objetivo no sistema de Bureus não era abdicar ou escapar do plano mais baixo e sim unificá-lo (ou quem sabe reconhecer que não há abismos) com os planos mais elevados, realizando o sagrado matrimônio do céu e da terra, do espírito e da matéria...sua representação para isto consistia em uma runa que unificava os dois princípios..."Tell us the secret rime..."como canta o apoteótico coro final da música Sons of Stave of time.

Johanes Bureus criou ainda muitos outros símbolos para descrever os processos alquímicos da jornada através da Cabala Gótica (ou Upssálica).A obra "Uthark:Nightside of Runes" de Thomas Karlson descreve muitas outras criações pictográficas de Johannes Bureus, um grande mestre rúnico e suas íntimas observações junto a Qabalah, almejando a reintegração com a unidade.Incluíndo ainda comparações gráficas entre a "Árvore-da-Vida" e a "Árvore-do-Mundo" através das runas, algumas delas deixamos nas ilustrações deste artigo.Através destes artigos focalizamos a visão do trabalho de Johannes Bureus pelo olhar de Thomas  Kalrsson  e de suas respectivas influências pós-modernas e convergente com as idéias e práticas do célebre Carl Jung, apresentado como referência e igual influência no site oficial da própria Ordo Dracon Rouge.Talvez por isso mesmo detectamos uma certa ênfase na integração e concílio de pares opostos, sem descaracterizarem-se e para formarem um novo elemento.Tal simbolismo comparativo que certamente remete a união de Shiva e Shakti, da Serpente e da Águia para que se levante um dragão..."duas integridades que se integram"...como diriam terapêutas modernos.O nome do sistema estabelecido por Johanes Bureus é chamado históricamente de Gothic Kabbalah (Cabala Gótica), Cabala de Uppsala ou ainda Cabala Uppsálica.E muitas de suas criações integram a história da própria Suécia e estão presentes nos museus de lá e são alvo de estudos acadêmicos.Desnecessário dizer aos de coração mais "bricolado culturalmente" que o "Gótico" desta cabala se refere aos povos do norte da europa e não a moderna Subcultura, Meio-Social ou Cena Urbana Contemporânea.

Back to Rock´n´Roll:Eu comecei a curtir o som do Therion com o álbum "The Secret of Runes", como já apreciava mitologia e espiritualidade nórdica não preciso mencionar que foi "amor-a-primeira vista" - infelizmente perdí o primeiro show deles por aqui.Isso também aconteceu comigo com o Sisters of Mercy ainda na década de noventa no finado projeto São Paulo.Hoje em dia já posso contar a quantidade de shows do Sisters of the Mercy que já ví...No ano de 2004, nos meses que antecederam a segunda vinda do Therion para o Brasil (pela Top Link), fui convidado pela revista Roadie Crew para escrever uma matéria sobre a banda Therion e o ocultismo, o resultado foi tão estrondoso que acabei ganhando a oportunidade de entrevistar Christopher Jonhson (criador do Therion) por telefone (publicada em alguns sites nacionais do gênero) e depois de um longo bate-papo sobre música, mitologia comparativa, Ordo Dracon Rouge, ocultismo, magia e runas - acabei sendo convidado como Dj para fazer a abertura daquele show no Direct TVMusic Hall.Minhas lembranças daquele show foram indescritíveis, conhecí a banda, visitei os camarins e assistí minhas músicas favoritas no canto do próprio palco...o que para um fã confesso é simplesmente demais!(Hey, quando assistí o show fechado de 2009 do The Sisters of Mercy no Manifesto na festa de aniversário da mesma produtora, praticamente há um metro do Andrew Eldritch tomando baforada de cigarro malboro, foi igualmente marcante também!)Mas eu deixarei esta história para um outro dia, que eu estiver afim de assuntos a lá "joguete-de-palavras-focaultianos", "crises do pós-modernismo" ou querendo curtir o som do "Motorhead"(o próprio vocalista do Sisters há décadas confessa nas entrevistas que sua banda é equivalente a de Lemmy...vai saber!).

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ah o luxurioso mês de maio...

Ah o luxurioso mês de maio... O musical dos anos 60´chamado "Camelot" tinha uma canção interpretada pela diva Vanessa Redgraves com este nome.No filme ela interpretava a rainha Guineverre esposa do lendário Rei Arthur.Para célebres autores franceses do realismo fantástico era um mês de revoluções por todo o globo.Já para Lord A:. será um mês bem agitado e com eventos fashionistas e de cosmovisão que compartilhamos a seguir.



E enfim, antes de entregar a vocês a programação de eventos do mês de maio, deixo também o link de um Djset que apresenta um pouquinho das minhas bandas favoritas e que tem aparecido nas minhas discotecagens por aí.Você pode escutar ou fazer o download bem aqui,




  • Na Sexta-feira 4 de Maio, sou Dj Convidado do evento "I Love Retrô" que acontece na Confraria São Pedro na Rua Alburquerque Lins, 184, há seis minutos da estação de metrô Marechal Deodoro.Vou trabalhar um Djset repleto de Darkelectro, ElectroGoth, Ethereal, Medieval e Steampunk - bem nos moldes do que apresento no Vox Vampyrica - vai ser uma noite bem divertida...Se quiser conferir uma prévia você pode escutar ou fazer o download bem aqui, 


  • No Sábado 5 & Domingo 6 de Maio espero vocês nesta nona edição do Encontro de Bruxas e Magos de Paranapiacaba organizado pela Universidade Holística Casa de Bruxa.No Sábado celebro a vivência "Amor, Caráter, Honra e Fogo Estelar" junto ao amado Círculo Strigoi das 20h ás 21h e vocês são meus convidados.No domingo 6 de maio ás 17h é a vez de apresentar a palestra "Vampiros e Rituais de Sangue na América latina" junto ao pesquisador Marcos Torrigo, autor da obra Vampiros:Origens, Mitos e Mistérios (que celebra 10 anos de sua publicação!) Confira mais detalhes e o roteiro completo de nossas atividades em Paranapiacaba e a nossa participação há cinco anos junto a este evento, aqui.







  • Sábado 19 de Maio das 18h ás 21h realizo a aula-magna da nova turma do "Introdução ao Vampyrismo" no "Templo de Afrodísia"(como carinhosamente chamamos este espaço) será uma atividade semi-aberta, portanto é necessário reservar o lugar com antecedência e o endereço será comunicado apenas por e-mail, inscreva-se através de officinavampyrica@yahoo.com.br

    Depois das 23h sou Dj Convidado do evento "Gothic Party Exrpess" que acontece na Confraria São Pedro na Rua Alburquerque Lins, 184, há seis minutos da estação de metrô Marechal Deodoro.Participei da edição de abril, que foi bem legal e você pode ler um pouco sobre minhas impressões aqui.Prometo um Djset bem nos moldes do que apresento no no Vox Vampyrica - vai ser uma noite bem divertida...Se quiser conferir uma prévia você pode escutar ou fazer o download bem aqui, 

  • Sábado 26 de Maio tem o passeio cultural "São Paulo Maldita" com um roteiro inédito, fiquem atentos para o ponto de encontro em nossa fanpage oficial no Facebook.

  •  O evento Encontro do Tarô dos VampiroS retorna no 3/06 (primeiro domingo de Junho) ele não acontecerá no mês de maio;devido nosso compromisso anual com o Encontro de Bruxas e Magos de Paranapiacaba que também acontece no dia 6 de Junho e estaremos lá palestrando.Pensamos em adiá-lo para o domingo 13 de Maio, mas aí temos o Dia das Mães...o que não seria legal...então nos vemos 3 de Junho.

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