segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Aonde construimos a Lâmina do nosso Olhar! (de Lord A:.)

O texto que segue é uma narrativa sobre o olhar como uma afiada lâmina ou ferramenta criada e modelada a cada instante pela forja dos nossos sentidos e sensorialidades - bem como daquilo que escolhemos carregar ou modelar...é uma alegoria metafórica e até mesmo alquímica dedicada a quem aprecia Cosmovisão Vampyrica - que talvez venha a compreender muito do jargão que aqui foi empregado.Boa leituras e feliz caçada.


O mundo dos mortos tem como acesso aquilo que os moderninhos chamam de "inconsciente", representado como uma escura caverna (ou o espaço sideral), onde operam muitos significados e sentidos do nosso mapa de realidade neste estranho continente.Toda vez que presumimos e escolhemos sucumbir ao fazer de terceiros reflexos daquilo que carregamos - lhes atribuir a posse daquilo que não há como se largar - nos colocamos justamente a mercê da presunção e de nos perdemos com nosso próprio eco em meio a névoa da floresta ou deserto  que atravessamos. Podemos consumir esta ardente tempera que carregamos no peito ou nos deixarmos ser consumidos e devorados. Há também a mordaz escolha de tentar deixar esta tempera perecer - bem como a sí e colher os danos da profunda melancolia e seus males. Na forja do nosso próprio olhar feral tudo são escolhas e consequências diretas do que fazer de sí com aquilo que temos - quer venhamos a reconhecer ou não. Na Cosmovisão Vampyrica delineamos ao menos adjetivamente que os justos são aqueles que se mantêm trilhando através desta via, trilha ou galeria tortuosa e espiralada da vida - e os mortos aqueles que sucumbem ao próprio mecanicismo e certezas de sí. Há os que respiram e os que não respiram...mas todos vivem sob o luar.

Mesmo após a morte os justos são chamados de vivos. Mas os ímpios, mesmo durante a sua vida eles são chamados de mortos.Ao utilizar tal sentença procuro me abstrair de nomeações morais, sociais, políticas, crenças e afins - pois afinal estamos mortos para o mundo de Maaiah e das ilusões pautadas nestes termos. Se metafóricamente o que nos cabe é estarmos mortos para as ilusões e vivos para o que sentimos, fazemos, pensamos e agimos somos bons mortos-vivos... deixando nossos espíritos florescerem no jardim da meia-noite e desvelando perfumes noturnos e essências mais agradáveis do que a limitada, temporal, linear e embriagada noção de humanidade que impera nos conturbados tempos que vivemos. Por extensão vivemos e os mortos são apenas aqueles que vivem fragmentados em suas pequenas verdades sentenciados e exilados no mundo como ele, do jeito que é...e como as coisas são...do jeito que são!" Mentiras e ecos mecanicistas de superficialidade, apatia, conformismo e de transgressões para sua manutenção que apenas poluem, mortificam e entopem a forja de um olhar adamantino, feroz, imortal e atemporal. A expontaniedade do momento morre perante a necessidade de repetição maquinária daquilo que insiste em projetar (para coisificar ou transformar em produtos de suas maquinações) e e em vão gastar toda sua força jurando que reside em terceiros.Assim como Síssifo condenado por Hades a empurrar uma pedra até o alto da ravina para apenas vê-la rolar de volta ao ponto inicial.



O vazio é uma ilusão premeditada e planejada de não encontrarmos ou tocarmos aquilo que que reclamamos que deveria estar lá ao nosso alcance. Nomeamos de vazio por ser inoportuno ou ainda não satisfatório, assim como o caos vulgar pertence apenas a um padrão que não era objetivo ou convergente ao que esperávamos que estivesse lá. O que remete muito mais a sua atitude de ir atrás daquilo que aprecia ou que lhe desperta sentido, ao mesmo tempo que vem a compreender que o amor ou sentido é vivenciado por tí - podendo não residir em terceiros na mesma frequência, potência e sabores que lhe desperta a sede. O esvaziamento que vem disso é uma escolha pessoal e intransferível - o que fará a seguir também. Benção ou maldição reside na forma como cria seu olhar, como escolhe tocar ou ainda se aproximar, qual lição há para aprender uma vez que todas vem baseadas naquilo que você mesmo cultiva em quantidade, gênero e abundância. No grau dos aspectos de sí que você escolhe passar mais e mais tempo junto, jurando que representam você na totalidade - para quem sabe evitar olhar que há ainda mais de sí em meio a própria venda ou escuridão proposital que se encerra...

Não é necessário punir a quem atribuímos maiores graus de prioridade por nos importarmos pela sua respectiva falta de recíprocidade, continua jazendo em sí a responsabilidade por este grau de confiança concedido a um terceiro.É mais regenerativo nos deslumbrarmos pela grandeza daquilo que somos capazes de sentir do que aquilo que as vezes (talvez) possa ser correspodido - embora esperar por correspondência no final das contas denote mais carência do que exatamente potência. A nobreza e o refinamento assim como a vastidão e amplitude ainda residem em sí e na forma como olhamos, aproximamos e tocamos aquilo que nos rodeia. Enquanto não se vivenciar algo na carne é apenas um feitiço fugaz e ilusório onde apenas percebemos nosso reflexo que em vão insistimos ser de outro. Ao que estará atendendo, justificando, conquistando ou ainda prolongando só mais um pouco? Não está no outro, não está em algo que há devir, está (e jaz) em você.Há quem diga que todos os mortos residem em um vasto corredor até o próximo mundo vir, lá suas consciências existem atemporalmente até serem atraídas para mundos onde detêm maior afinidade, quem sabe assim tornando-se unidos a gigantes cujo o que deixaram como legado nos sustentam e carregam em seus ombros - na carne e na forma da lembrança e memória.

Não há vazio. Mas porque tanto alguém precisa conquistar algo alegando sentir o vazio inexorável? O verdadeiro poder na Cosmovisão Vampyrica é aprender a desmantelar as próprias bombas e sabotagens interiores - herdadas ou cultivadas apenas e tão somente por você. O espirito caçador não é uma ferramenta vaga e ilusória de se exigir punições sob o luar, nesta realidade onde todos sem excessão são o amaldiçoado de alguém e que o tempo todo sempre reinarão um peso e duas ou mais formas de pesagem. Por quanto tempo mais vai reclamar para sí os resultados das desgraças ou bençãos que pairam ali no canto esquerdo do seu olhar sobre as coisas do mundo - que você alega projetar ou recolher sobre terceiros? 



Se o fio da lâmina do teu olhar é criado e re-criado instante a instante por si, porque se evadir delegando tal obra de arte a terceiros ou agentes além do seu controle? Você investe seu tempo e consciência de modelagem nela, escolhendo que seja mais afim ou funcional para algumas coisas em detrimentos de tantas outras - já se perguntou porque destrincha e é mais eficaz para aquilo e não para outras coisas?Você criou daquele jeito mas a qualquer instante pode re-modelar ou criar algo novo.Foi você que a modelou e forjou no calor da sua vivência ou apenas a reclamou para sí e alheio ficou com o que disseram que você devia fazer? É você também que delega a esta arma ou ferramentaria que dentre infinitas formas ao seu próprio gênio emocional ou espírito caçador, as vezes será apropriada - as vezes não e aí? Há chamas e matéria prima suficiente nos metais da tua alma (o tal do tesouro velado) que conquista explorando a vastidão da caverna da sua alma para ajeitar com funcionalidade uma nova arma ou ferramenta mais apropriada?O que consegue transformar em sentido e integrar do corpo da tua sensorialidade - o tal do Dragão? Quanto transforma e cristaliza em prática aquilo que lhe é inspirado e sonhado? As resplandescentes chamas da forja do próprio olhar espadado e perfurante continuam ativas e demandam serem mantidas pelo combustível gerado pelo amor próprio, dos feitos que lhe despertam sentido e pertencimento e de outros incontáveis valores... a caçada prossegue sob o aveludado manto negro, vida demanda vida, "Sangue" demanda "Sangue" e Força devora Força - assim o mundo se mantêm...a Harmonia é conquistada na compreensão de todos estes embates - abastecidos pelo amor que apenas agrega aquilo que é transparente e não admite nada fragmentado.

Não há vazio apenas incontáveis tons daquilo que escolheu ainda não compreender ou pelo menos reconhecer sua parte, sua propriedade e sua responsabilidade. As vezes também há falta de habilidade ou perícia para extrair e refinar certas matérias primas das cavernas da alma.Outras falta espírito ou espirituosidade nesta árdua tarefa.Mas há algo que nos move neste sentido além do nosso controle, mas sujeito aos nossas próprias receitas e caldos primervos. Destes mistérios cada um deve vir a conhecer os próprios.Enquanto precisar caçar e jurar ser capaz de tomar de terceiros fazendo de cada um objeto ou coisa para ilusoriamente saciar aquilo que não tem como... permanece atrelado a rolar uma pedra até o alto da colina, apenas para ela descer furiosamente a ravina de volta ao ponto inicial. Enquanto se escolhe correr atrás dos ecos no enevoado reino sob o luar apenas a repetição mecânica é o que encontrará - a zona de conforto, a mesmíce e a constante repetição daquilo que talvez anseie em ir adiante...

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